Mistérios do fundo do mar: conheça os navios com tesouros que nunca saíram do Brasil

Estimativa aponta 2 mil embarcações naufragadas na costa; de 'Titanic Brasileiro' a ouro espanhol; veja histórias que seguem submersas

O litoral brasileiro esconde cerca de 2 mil embarcações naufragadas no oceano

O litoral brasileiro esconde cerca de 2 mil embarcações naufragadas no oceano | Reprodução

O litoral brasileiro é o repouso final de uma frota invisível com cerca de 2 mil embarcações, desde galeões coloniais carregados de prata até vapores da Segunda Guerra Mundial. Diferente do que se imagina, o resgate desses navios é raríssimo, barrado pelo custo proibitivo, pela profundidade extrema e pela legislação da Marinha, que protege esses destroços como patrimônio da União ou “túmulos de guerra”

Um dos casos mais emblemáticos é o do Príncipe de Astúrias, conhecido como o “Titanic Brasileiro”. Naufragado em 1916 em Ilhabela (SP), o navio espanhol levava estátuas de bronze e, segundo lendas da época, toneladas de ouro. A profundidade e as correntes perigosas impediram qualquer tentativa de resgate total.

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Outro destaque é o Galeão Sacramento, em Salvador (BA), que afundou em 1668 carregando canhões de bronze e moedas, permanecendo até hoje como um dos sítios arqueológicos submersos mais importantes do país. Embora parte da artilharia tenha sido retirada na década de 1970, o casco principal e muitos vestígios continuam enterrados e protegidos pela baixa visibilidade e correntes locais.

Já na Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ), o navio Pinguino é um dos naufrágios mais conservados do país. O cargueiro pegou fogo e afundou em 1967. O que intriga os pesquisadores não é o ouro, mas sua carga intacta de milhares de garrafas de vinho e latas de azeite que ainda estão nos porões. Como o navio está inteiro, ele se tornou um ecossistema complexo, mas sua estrutura de ferro começa a se tornar instável, o que impede qualquer tentativa de içamento segura.

Além deles, submarinos alemães da 2ª Guerra Mundial permanecem intactos na costa do Nordeste, protegidos por leis internacionais como túmulos de guerra, como é o caso do navio Baependi, em Sergipe. Ele afundou em poucos minutos na costa por estar em águas muito profundas e ser considerado um cemitério militar (centenas de pessoas morreram no ataque).

Esses destroços formam um ecossistema único e continuam desafiando pesquisadores e mergulhadores que buscam entender o que aconteceu em seus últimos momentos antes de tocarem o fundo do oceano.