Ciência revela como o seu mês de nascimento pode influenciar a saúde do coração

Um estudo acompanhou 116 mil mulheres por 38 anos e apontou que estação do ano em que nascemos tem relação com riscos cardiovasculares

Os cientistas identificaram que o mês de nascimento pode estar ligado aos problemas de saúde

Os cientistas identificaram que o mês de nascimento pode estar ligado aos problemas de saúde | Pexels

Será que a época do ano em que você veio ao mundo pode dizer algo sobre o seu futuro médico? Um estudo massivo conduzido por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, sugere que sim.

Após analisarem dados de mais de 116 mil enfermeiras ao longo de quase quatro décadas, os cientistas identificaram que o mês de nascimento pode estar sutilmente ligado ao risco de morte por doenças cardiovasculares.

A pesquisa, que acompanhou as participantes entre 1976 e 2014, revelou um dado curioso: mulheres nascidas na primavera e no verão (no hemisfério norte) apresentaram um risco ligeiramente maior de problemas cardíacos fatais em comparação com as nascidas no outono.

Embora a diferença seja pequena, ela permaneceu relevante mesmo após os pesquisadores ajustarem fatores importantes, como histórico familiar, nível socioeconômico e estilo de vida.

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Os mecanismos exatos por trás dessa conexão ainda não são totalmente compreendidos, mas os cientistas trabalham com hipóteses ambientais. Flutuações sazonais na dieta materna durante a gravidez, níveis de poluição do ar e, principalmente, a exposição à luz solar nos primeiros meses de vida podem influenciar o desenvolvimento do sistema cardiovascular.

A falta de vitamina D ou a exposição a vírus sazonais durante a gestação ou infância são fatores que a ciência investiga como possíveis “programadores” da saúde adulta.

Apesar dos resultados impressionantes pela escala e duração (38 anos de observação), os autores do estudo reforçam que se trata de uma análise observacional. Isso significa que o mês de nascimento não causa a doença, mas pode ser um indicador de fatores ambientais precoces.

O estudo serve como um alerta para que a medicina olhe com mais atenção para as influências do meio ambiente desde o útero, ajudando a entender por que certas populações são mais vulneráveis a infartos e AVCs.

Principais conclusões da análise de Harvard

  • Amostra Gigante: 116.911 mulheres foram monitoradas detalhadamente desde a década de 70.

  • Fator Coração: O impacto maior foi notado especificamente em doenças do sistema circulatório, não na mortalidade geral.

  • Hemisfério Sul: Curiosamente, estudos anteriores sugerem que no hemisfério sul o padrão pode ser inverso devido à troca das estações.

  • Fatores Externos: Dieta da mãe e exposição solar antes do parto são as causas prováveis para essas variações sazonais.