Cientistas descobrem ‘nova idade’ para o fim da adolescência; saiba qual é

Estudo da Universidade de Cambridge revela que o cérebro só termina de se organizar e atinge o auge da eficiência muito depois dos 18 anos

apeamento cerebral com 4 mil pessoas identifica os 4 marcos da vida e mostra que a juventude se estende por mais tempo do que a sociedade impõe

apeamento cerebral com 4 mil pessoas identifica os 4 marcos da vida e mostra que a juventude se estende por mais tempo do que a sociedade impõe | Reprodução/Freepik

O cérebro humano muda ao longo da vida, e essas transformações seguem padrões mais claros do que se imaginava. Um estudo da Universidade de Cambridge identificou cinco fases principais do desenvolvimento cerebral, marcadas por idades-chave: 9, 32, 66 e 83 anos.

A pesquisa analisou exames cerebrais de quase 4 mil pessoas, do nascimento até os 90 anos. Segundo os cientistas, o desenvolvimento do cérebro não é linear: em cada fase, ele se reorganiza para cumprir funções diferentes, como aprender, estabilizar habilidades ou lidar com o envelhecimento.

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Da infância à adolescência (0 a 9 anos)

Na primeira infância, o cérebro passa por uma grande reorganização. Conexões pouco usadas são eliminadas, enquanto as mais importantes se fortalecem. Esse processo ajuda a tornar o cérebro mais eficiente para aprender e memorizar.

Da adolescência à vida adulta jovem (9 a 32 anos)

Essa fase marca o auge da eficiência cerebral. As conexões se tornam mais diretas e rápidas, favorecendo raciocínio, aprendizado e adaptação. O estudo mostra que, do ponto de vista do cérebro, a adolescência se estende até cerca dos 32 anos.

Vida adulta (32 a 66 anos)

É o período mais estável. O cérebro entra em um “platô”, com poucas mudanças estruturais importantes. Funções cognitivas, personalidade e inteligência tendem a se manter mais constantes.

Envelhecimento inicial (66 a 83 anos)

A partir dos 66 anos, as conexões começam a enfraquecer, principalmente na substância branca. O cérebro passa a funcionar mais em pequenos grupos de áreas, o que pode estar ligado ao aumento do risco de demência e outras condições.

Envelhecimento avançado (83 anos em diante)

Nesta fase, a comunicação entre as regiões cerebrais fica mais fragmentada. Algumas conexões deixam de funcionar, exigindo “caminhos alternativos” para transmitir informações, o que pode impactar a cognição.

Os pesquisadores ressaltam que essas idades são médias, e não regras rígidas. Cada pessoa envelhece de forma diferente.

Ainda assim, o estudo ajuda a entender melhor como o cérebro evolui ao longo da vida e pode contribuir para diagnósticos mais precoces e cuidados personalizados com a saúde mental e cognitiva.