‘Receita de vovó’ contra pedra nos rins agora é oferecida pelo SUS; saiba qual

Tradicionalmente utilizada no Brasil para o tratamento de pedras nos rins, a planta será a base do primeiro medicamento fitoterápico desenvolvido pelo SUS

Não há no mercado um medicamento que atue em todas as etapas da litíase urinária

Não há no mercado um medicamento que atue em todas as etapas da litíase urinária | Freepik

A famosa “dica dos avós” para tratar pedras nos rins e outros distúrbios urinários acaba de ganhar um respaldo científico e tecnológico definitivo no Brasil. A planta popularmente conhecida como quebra-pedra será a base do primeiro fitoterápico industrializado desenvolvido a partir de saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares para ser disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS). 

A expectativa é que, em cerca de seis meses, o produto esteja pronto, colocando o conhecimento ancestral como centro da inovação farmacêutica nacional.

Para viabilizar o projeto, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) firmou um acordo com a Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). 

Segundo Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia do MMA, o acordo inaugura um paradigma onde o saber tradicional é tratado como tecnologia, garantindo a repartição justa de benefícios aos detentores desse conhecimento, como a parceria com a APOINME (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo).

Investimento e inovação na saúde pública

A planta popularmente conhecida como quebra-pedra será a base do primeiro fitoterápico industrializado V C balakrishnan/CC-BY-SA-4.0/Reprodução

O projeto mobiliza R$ 2,4 milhões em adequação de maquinário, estudos laboratoriais e compra de insumos. Priscila Ferraz, vice-presidente de Inovação da Fiocruz, destaca que o objetivo é assegurar o acesso seguro a medicamentos que utilizem a biodiversidade de forma sustentável. 

A pesquisadora Maria Behrens, responsável pelos estudos, explica que o produto será inovador, pois não há no mercado um medicamento que atue em todas as etapas da litíase urinária (formação de cálculos).

O processo industrializado evita riscos comuns em preparações caseiras, como a troca acidental de espécies ou dosagens ineficazes.

Embora o nome popular sugira uma ação mecânica, a ciência explica que a quebra-pedra não “quebra” as pedras fisicamente. 

Seus benefícios reais envolvem a inibição da aglomeração de cristais de oxalato de cálcio, o relaxamento da musculatura do ureter para facilitar a passagem de pequenos cálculos com menos dor e a alteração da composição da urina para reduzir riscos de novos cristais.

Após a produção dos lotes-piloto, serão feitos estudos de estabilidade para submissão à Anvisa, com estimativa de fornecimento ao SUS em até dois anos.