Uma descoberta científica está prestes a mudar a vida de milhares de pessoas que sofrem com a perda severa de visão. O sistema fotovoltaico PRIMA, uma tecnologia capaz de restaurar a percepção de imagens e letras, teve resultados positivos em estudos clínicos e tem previsão de chegar ao mercado internacional até o final de 2026.
O dispositivo é focado em reverter os efeitos da degeneração macular, uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. O funcionamento do sistema é comparado a um “olho biônico”, que utiliza uma microestrutura de apenas 2 mm instalada cirurgicamente atrás da retina.
Esse dispositivo trabalha em sincronia com óculos especiais equipados com uma câmera de alta performance. A câmera capta o ambiente, e um processador transforma as imagens em luz infravermelha, que é enviada diretamente ao implante no olho. Ali, a luz é convertida em sinais elétricos que o cérebro interpreta como visão.
O fim da escuridão central
Diferente de tratamentos convencionais, essa tecnologia consegue contornar as células mortas do olho. Segundo o oftalmologista Gustavo Gameiro, doutor pela Unifesp, a grande inovação é que o sistema “pula” os fotorreceptores danificados para disparar sinais diretamente ao cérebro.
Em testes publicados pelo The New England Journal of Medicine, pacientes que mal conseguiam distinguir vultos recuperaram a capacidade de identificar até 25 letras em exames de visão.
“Não é uma visão HD, em alta definição, mas já corresponde a 5% do que seria uma capacidade normal e saudável, o que é relevante para pacientes com atrofia da retina”, destaca Gameiro. Para quem vive com a visão central limitada, esse ganho representa a volta da autonomia para tarefas simples, como ler um rótulo ou reconhecer um rosto.
Disponibilidade e futuro
A expectativa é que o sistema receba aprovação regulatória na Europa e nos Estados Unidos ainda este ano. Embora a visão recuperada ainda seja parcial, cientistas acreditam que este é apenas o primeiro passo. Com a evolução dos processadores ópticos, as próximas versões devem oferecer uma nitidez ainda maior.
Para a medicina, o lançamento comercial em 2026 marca o início de uma era onde a cegueira causada por doenças degenerativas deixa de ser uma sentença definitiva, abrindo caminho para que a tecnologia restaure o que a biologia não conseguiu preservar.
