Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) desde o fim de 2025, boatos sobre a quebra de bancos digitais e tradicionais passaram a inundar as redes sociais.
O caso mais recente, do Will Bank, reforçou que o consumidor precisa estar atento a sinais objetivos antes que o pior aconteça.
Para o investidor, saber ler os números oficiais é a única defesa contra o medo infundado e, principalmente, contra o prejuízo real.
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Confira o passo a passo completo para avaliar a instituição onde você guarda seu dinheiro.
1. Verificação de autorização oficial
O primeiro passo é básico, mas ignorado por muitos: confirmar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil. Entidades não autorizadas não possuem as garantias do sistema financeiro nacional.
Como fazer: Acesse o site do BC, siga em Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição.
2. Onde encontrar dados confiáveis
Não baseie suas decisões em prints de redes sociais. Utilize estas três bases oficiais:
- Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN): No portal do Banco Central, permite ver os balanços auditados.
- Banco Data: Uma plataforma que organiza os dados do BC de forma visual, usando cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco.
- Site de Relações com Investidores (RI): Procure no Google por “Nome do Banco + RI”. Lá, a instituição é obrigada a publicar resumos de fácil leitura sobre sua situação financeira.
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3. Entenda os indicadores de solidez
Existem métricas técnicas que revelam a saúde do banco muito antes de ele fechar as portas. No caso do Will Bank, por exemplo, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024, um sinal claro de insolvência.
- Índice de Basileia: Mede quanto o banco tem de capital próprio em relação ao que ele empresta.
- Mínimo no Brasil: 11% (13% para cooperativas).
- Ideal: Acima de 15%. Se o índice cai em direção a 11%, o alerta deve ser ligado.
- Lucro Líquido Recorrente: Um banco que dá prejuízo constante está “queimando caixa”.
- Inadimplência: O percentual de empréstimos não pagos (vencidos há mais de 90 dias). Se for muito alto, o banco pode quebrar.
- Índice de Imobilização: Mostra quanto do dinheiro está “preso” em imóveis e veículos. Se for alto demais, o banco não tem dinheiro vivo (liquidez) para pagar os correntistas em uma crise.
- Rating de Crédito: Notas de agências como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos são sinais de perigo iminente.
4. Conheça os limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
O FGC é o seu “seguro-saúde” financeiro. Ele garante até R$ 250 mil por CPF em caso de quebra, mas nem tudo está protegido.
O que o FGC cobre
- Conta Corrente e Poupança
- CDB e RDB
- LCI, LCA e LC
- Depósitos a Prazo
- Operações Compromissadas
O que o FGC NÃO cobre
- CRI e CRA
- Debêntures
- Letras Financeiras (LF, LI, LIG)
- Títulos Públicos (cobertos pelo Tesouro)
- Fundos de Investimento e Previdência
5. O perigo da “Rentabilidade fora do padrão”
Bancos em dificuldade costumam oferecer taxas muito acima da média para atrair dinheiro rápido e tentar cobrir o rombo.
Regra de ouro: Se a média do mercado para um CDB é 110% do CDI e um banco oferece 140% ou mais (como ocorreu com o Banco Master no passado), o risco é proporcionalmente maior. Retornos extraordinários quase sempre escondem problemas de caixa.
6. Sinais de alerta e o fator “Will Bank”
Ninguém prevê o dia exato de uma intervenção, mas o histórico recente mostra que os sinais são cumulativos:
- Queda contínua da Basileia;
- Prejuízos recorrentes;
- Ofertas agressivas de captação;
- Entrada em regimes especiais (como o RAET – Regime de Administração Especial Temporária).
No caso do Will Bank, além da Basileia negativa, o Índice de Imobilização estava negativo em 1,9%, o que indicava uma estrutura patrimonial fragilizada, mesmo com lucros reportados.
7. Alternativas para maior segurança
Se você percebeu que seu banco está em uma “zona cinzenta”, especialistas recomendam migrar parte do capital para:
- Tesouro Direto: Onde o risco é o governo (considerado o menor risco do país).
- Bancos Sistêmicos: Instituições gigantes que possuem uma solidez muito superior e maior fiscalização.