Durante vários anos Hollywood tentou tirar do papel um remake do clássico “O Corvo”. Marcado pela morte do ator Brandon Lee durante as gravações por um tiro acidental, a pré-produção foi considerada um caos nos bastidores, uma vez que ninguém queria se envolver nela. Após Bradley Cooper, Jason Momoa, Mark Walhberg e Channing Tatum chegarem a quase a assumir o papel de Eric Draven, ele acabou nas mãos de Bill Skarsgård (“Contra o Mundo”).
Enquanto em 1994 o diretor Alex Proyas teve de tirar leite de pedra e alterar vários arcos para poder “esconder” a ausência de Brandon Lee, no ano de 2024 diretor Rupert Sanders (“Branca de Neve e o Caçador”) teve a chance de entregar uma adaptação mais fiel a HQ de James O’Barr. Porém, ele escorregou na banana.
Após ser assassinado brutalmente junto de sua namorada Shelly (FKA twigs), Eric renasce e adquire poderes de cura momentâneos. Sob o manto de “O Corvo”, ele sai em busca de vingança pelos culpados.
Um dos principais problemas do roteiro de Zach Baylin e William Josef Schneider, é não apresentar o casal protagonista de uma maneira que pudesse haver uma conexão com o espectador. Durante quase 30 minutos, nem Skarsgård e twigs conseguem nos convencer de torcer por eles, muito menos uma química. Com atuações canastronas, é perceptível que eles realmente não gostaram do material que tinham em mãos.
A trama só ganha uma nova vida quando a personalidade do Corvo paira sobre Eric. Carregadas de violência, ação desenfreada e poucos diálogos, nestes arcos são entregues exatamente o que esperávamos deste tipo de produção. Uma lástima é que isso dura relativamente pouco, em comparação com o que chegamos até a premissa se baseia.
“O Corvo” não é um desastre completo, mas poderia ter sido melhor caso tivessem tomado as decisões certas no princípio.
