Hoje, o Desafio Jovem abriga oito ex-dependentes químicos, que lutam diariamente contra as famosas e aterrorizantes recaídas. Luiz Henrique de Paula, presidente da entidade, ressalta que a internação é voluntária. “Aqui só fica quem quer realmente se livrar da dependência”, diz.
Os dois primeiros meses de internação, segundo os ex-dependentes, são os mais difíceis durante todo o trabalho de desintoxicação e ressocialização. As crises de abstinência são comuns, quando o organismo mais reclama a falta da droga.
Passado esse período, o que vale é a perseverança. “Aí é que a vontade de sair das drogas tem que falar mais alto. E nós damos toda a assistência para isso”, ressalta Henrique de Paula.
Francisco de Assis Santana
Dos 47 anos de Francisco de Assis Santana, 31 foram comprometidos com bebidas alcoólicas e a cocaína. Usuário de drogas desde os 16 anos, hoje ele diz que cada dia é um desafio, uma luta para não recair.
Há 11 meses limpo, expressão comum para o período de tempo que o usuário, ou ex-usuário, resiste às drogas, Francisco ainda não se sente preparado para voltar para casa. Ele é um dos internos da instituição Desafio Jovem, e diz que lá encontrou a chance de se tratar e se livrar do vício.
Morador do Morro da Nova Cintra, ele deixou a casa dos pais e procurou a entidade voluntariamente. “Eu quis sair daquela vida que eu tinha. Não aguentava mais ser dependente”, diz. Francisco vivia uma rotina de brigas com os pais e os irmãos por conta das drogas.
Ele vivia de “bicos” (trabalhos temporários sem registro em carteira) e todo o dinheiro que ganhava já tinha destino: álcool e cocaína. “Eu não sei quanto eu gastava por mês com as drogas, mas se eu ganhasse R$ 1 mil, gastava os R$ 1 mil, seu eu ganhasse R$ 500, gastava os R$ 500. Todo meu dinheiro sustentava o meu vício”.
No Desafio Jovem, Francisco participa de todas as atividades e, depois de 11 meses internado, ganhou a confiança da diretoria da entidade para ir à rua: todas as tardes ele faz curso de cabeleireiro. “É com isso que eu quero trabalhar quando sair daqui. Quero ter uma carreira”, ressalta.
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Anderson Giglio
Da maconha para a cocaína. Da cocaína para o crack. Esse foi o caminho da dependência que Anderson Giglio percorreu durante cinco anos. Hoje, aos 31, ele se vê ‘limpo’ das drogas há sete meses.
Ainda assim, não se sente preparado para “andar sozinho”, como ele mesmo diz. Escolheu o Desafio Jovem para se livrar da dependência, e lá pretende ficar muito mais tempo.
Ao falar, Giglio se mostra orgulhoso da sua luta pela recuperação. Ele conta entusiasmado das atividades que realiza dentro da entidade e se mostra mais feliz ainda com a possibilidade de se tornar um voluntário ativo dentro do Desafio Jovem.
“Eu ainda estou em processo de recuperação e ressocialização, mas já comecei a acompanhar o trabalho dos voluntários aqui dentro e quero fazer isso daqui para frente”. Giglio se identificou com o trabalho desenvolvido pelos monitores da instituição e quer se tornar um.
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Rodiney da Silva Pereira
A fé e a religião foram fundamentais na recuperação de Rodiney da Silva Pereira. Recaídas fizeram parte da sua luta contra as drogas, mas hoje ele ajuda outros dependentes a se livrarem do vício.
Ele é um dos monitores do Desafio Jovem. Já passou pelas mesmas experiências que todos a quem orienta também passam, e sabe o quanto é difícil. Mas ele afirma: “na fé tudo é possível”.
Rodiney trilhou um caminho comum a muitos dependentes químicos. Começou com a maconha, passou pela cocaína e acabou no crack. Tentou reabilitação duas vezes. Sem sucesso, recaiu.
Foi quando se entregou ao caminho da devoção. Hoje com 34 anos, foi usuário durante 18 deles, ele se vê livre das drogas. “É uma luta muito grande e constante. Mas a fé foi o meu maior estímulo”.
No Desafio Jovem, ele aplica os chamados “períodos” diariamente, quando lê e explica passagens bíblicas aos internos.
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