E o futuro, como será?

Instituição está na rota do túnel que será construído ligando Santos a Guarujá

O futuro do Desafio Jovem é incerto. Isso porque a entidade está localizada na Rua José do Patrocínio, no Macuco, justamente no trecho onde desembocará o túnel submerso ligando Santos a Guarujá. A instituição está entre as desapropriações que ocorrerão para a realização das obras.
Há 38 anos funcionando no local, a entidade tem o trabalho ameaçado com a implantação do túnel. Não só o Desafio Jovem, mas outras 150 famílias que também estão localizadas no bairro e serão desapropriadas.
A implantação do túnel tem sido motivo de preocupação e reivindicação para a população do Macuco. Quem anda pelo bairro, se depara com diversas faixas pretas com os dizeres “Aqui túnel não!”, penduradas nas portas das casas e estabelecimentos comerciais.

O caso do Desafio Jovem, no entanto, é mais complicado. A instituição ocupa um terreno cedido pelo próprio Governo do Estado, responsável pela realização das obras de construção do túnel, através da Dersa. O presidente da entidade, Luiz Henrique de Paula, não recebeu um posicionamento do Estado para saber se a instituição será realocada e terá novo espaço cedido para a continuação dos trabalhos. Caso contrário, “o Desafio Jovem fecha as portas, porque não temos condições de comprar um imóvel ou pagar aluguel”, diz Henrique de Paula.
A previsão para início das obras é já para julho deste ano, mas a Dersa afirma que os trabalhos só chegarão a Santos em 2016.
Apesar da estimativa, o presidente da Dersa, Laurence Casagrande, disse que o cadastramento dos imóveis e famílias que serão desapropriados ou reassentados deve começar a partir de junho.
O Conselho Estadual do Meio ambiente (Consema) autorizou, no começo deste mês, a Cetesb a emitir a Licença Ambiental Prévia (LP) para a implantação do túnel ligando Santos a Guarujá. “Esta Licença Prévia é o atestado de viabilidade socioambiental do Conselho Estadual de Meio Ambiente dizendo que entende que o traçado apresentado traz menores impactos e maiores benefícios à Cidade (Santos)”, explica Casagrande.
Com a LP, o próximo passo a caminho da construção do túnel é pedir uma Declaração de Utilidade Pública (DUP) à Promotoria do Estado com as áreas que precisarão ser desapropriadas para a viabilização do projeto. Segundo Casagrande, esta declaração deve ser publicada até meados de maio.
A partir desta publicação, a Dersa está autorizada a começar o cadastramento das famílias que terão que deixar suas casas para dar espaço para o novo túnel. Isto já deve acontecer a partir de junho, de acordo com informações do presidente da Dersa. “Iremos falar com um por um, conhecer as famílias e suas casas individualmente. Não há uma regra geral. Queremos causar o mínimo de transtorno possível”, explica.
Questionado sobre o Desafio Jovem, Casagrande diz que o procedimento será o mesmo. “Iremos cadastrar o local, conhecer a entidade e dar o encaminhamento correto sem prejudicar os serviços prestados. Todos serão atendidos desta forma”, garante o presidente.

“Não temos dinheiro”

O Desafio Jovem é uma entidade sem fins lucrativos e depende da solidariedade de pessoas e outras instituições que fazem doações. A casa onde são realizados os trabalhos com dependentes químicos é isenta de impostos, de acordo com o presidente Luiz Henrique de Paula, por ocupar um terreno cedido pelo Governo do Estado.
Atualmente, oito homens são atendidos pelo Desafio Jovem. Lá eles ficam internados de forma voluntária, ressalta Henrique de Paula. A estadia, no entanto, não tem custo aos assistidos, “a não ser que a família queira colaborar e dar alguma ajuda de custo. Hoje, dois deles colaboram com a instituição, pagando R$ 200,00 por mês, também voluntariamente. Nada é cobrado deles”.
As despesas do Desafio Jovem giram em torno de aproximadamente R$ 3 mil por mês, entre contas, alimentação, materiais para as oficinas e manutenção da instituição. “Nós vivemos uma luta todo mês para pagar as contas. Temos muitas doações, mas sempre falta. Aí eu tenho que correr atrás”, conta Henrique de Paula.
Se para pagar as despesas básicas do Desafio Jovem, o presidente diz que é uma luta, para a possibilidade de pagar um aluguel, caso a instituição tenha que deixar a sede atual por causa das obras do túnel submerso, Henrique de Paula diz: “Não temos dinheiro”.
É de espera que o presidente vive hoje comandando a instituição. Sem saber se o Estado cederá nova área para o Desafio Jovem, Henrique de Paula diz que aguarda um parecer para saber qual será o futuro do trabalho realizado com dependentes químicos.