Tubarões com patas? Conheça espécie que desafia regras da reprodução e surpreende cientistas

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade James Cook e acompanhou o metabolismo das fêmeas durante todo o ciclo de produção e postura de ovos

Achado ajuda a entender adaptação de tubarões a ambientes extremos

Achado ajuda a entender adaptação de tubarões a ambientes extremos | Reprodução/Youtube

Uma pesquisa australiana revelou que o tubarão-epaulette consegue se reproduzir sem elevar seu gasto energético, um comportamento raro que desafia conceitos clássicos da biologia animal.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade James Cook e acompanhou o metabolismo das fêmeas durante todo o ciclo de produção e postura de ovos.

Mesmo ao formar ovos complexos, os animais não apresentaram aumento no consumo de energia, algo inesperado para os pesquisadores.

Eficiência fisiológica fora do comum

Em condições normais, a reprodução exige redirecionamento de energia e aumento da taxa metabólica. Nos tubarões-epaulette, esse padrão não se confirmou.

Segundo a professora Jodie Rummer, os dados indicam que a espécie desenvolveu uma fisiologia capaz de otimizar o uso de energia durante esse período crítico.

“Esperávamos um aumento claro no gasto energético, mas ele simplesmente não aconteceu”, afirmou.

Veja esse vídeo sobre o tubarão-epaulette:

Análise detalhada do metabolismo

Os pesquisadores mediram as taxas de consumo de oxigênio das fêmeas, método usado para estimar o metabolismo de forma direta.

Quanto maior o consumo de oxigênio, maior o uso de energia. Durante todo o processo reprodutivo, esse indicador permaneceu constante.

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A equipe também monitorou hormônios e parâmetros sanguíneos, que não apresentaram alterações significativas.

Impacto para os ecossistemas marinhos

A doutora Carolyn Wheeler destacou que, em muitos animais, o estresse ambiental obriga uma escolha entre sobreviver ou se reproduzir.

O tubarão-epaulette, porém, pode continuar produzindo ovos mesmo sob pressão ambiental, o que fortalece a saúde dos recifes.

Segundo os pesquisadores, entender essa adaptação ajuda a prever como algumas espécies podem responder às mudanças nos oceanos.