Ataque aéreo do bem: O erro científico que obrigou um ‘bombardeio’ de troncos nos rios

Essa operação logística busca restabelecer o equilíbrio em quase 40 km de extensão hídrica em uma reserva natural

 

Helicópteros sobrevoam o centro de Washington, nos Estados Unidos, transportando milhares de troncos pesados para os leitos dos rios regionais. 

Essa operação logística busca restabelecer o equilíbrio em quase 40 km de extensão hídrica na Reserva Yakama.

Como o acesso por terra é muito difícil, o uso de aeronaves se tornou a única solução viável. Técnicos marcam os pontos exatos com fitas rosas e azuis para orientar o despejo preciso de todo o material lenhoso selecionado.

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A mudança na visão científica

Durante muito tempo, a gestão ambiental priorizou canais limpos e fluxos rápidos por considerar essa a única forma saudável. 

A madeira era removida sistematicamente, pois especialistas e moradores da região acreditavam que ela bloqueava o caminho dos peixes e os processos naturais.

Em entrevista à emissora Oregon Public Broadcasting (OPB), o biólogo Scott Nicolai relata que passou décadas trabalhando sob essa perspectiva antiga.

Ele observava as margens e via os troncos apenas como obstáculos indesejados que deveriam ser eliminados imediatamente conforme as crenças da época.

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O papel vital da obstrução natural

Estudos modernos revelaram que os troncos criam áreas seguras para a reprodução de salmões e trutas-touro. 

Eles também ajudam no surgimento de algas que sustentam diversas espécies de insetos aquáticos fundamentais para o ecossistema.

A barreira física diminui a velocidade da correnteza e permite que a água penetre na terra. Esse processo alimenta o lençol freático e devolve o líquido resfriado para o leito do rio de forma gradual e constante.

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A origem das madeiras utilizadas

A exploração madeireira intensa e a construção de barragens prejudicaram a saúde dos rios por anos.

Phil Rigdon, superintendente do Departamento de Recursos Naturais da Nação Yakama, afirmou à OPB que a comunidade agora aprende com as falhas cometidas em gestões anteriores e busca soluções melhores.

Organizações como a The Nature Conservancy fornecem espécies de abeto e cedro vindas de desbastes florestais. 

Toda essa matéria-prima é redirecionada para reconstruir a infraestrutura natural dos cursos d’água locais de maneira sustentável.