Se você já desceu a Serra do Mar rumo ao litoral paranaense, certamente conhece aquele cheiro doce que invade o carro. É o perfume da Bala de Banana de Antonina, um patrimônio que atravessa gerações. Mais do que um doce, ela é um pedaço da história do Brasil, envolto em papéis coloridos que guardam o sabor exato da nostalgia.
Em 2020, a qualidade foi oficializada. O INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) concedeu o selo de Indicação Geográfica (IG) às balas de Antonina.
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O Nascimento de uma Lenda (Anos 70)
Tudo começou por uma necessidade prática. Na década de 1970, a região de Antonina e Guaraqueçaba tinha uma produção excedente de bananas que acabava se perdendo.
Foi nesse cenário que surgiram os pioneiros, como o senhor João Siqueira Ferreira e, posteriormente, a família de Zeca Pantaleão. Eles transformaram a fruta madura em uma iguaria cozida lentamente, criando uma bala que não grudava no papel e tinha uma durabilidade incrível.
O Selo de Ouro: Indicação Geográfica
Em 2020, o reconhecimento final veio. O INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) concedeu o selo de Indicação Geográfica (IG) às balas de Antonina.
Isso significa que, legalmente, nenhuma outra bala no mundo pode dizer que é “de Antonina” se não seguir o método tradicional e usar as frutas daquela região específica.
Como o “Ouro Negro” é Feito?
O processo é um exercício de paciência e tradição. Diferente das balas industriais repletas de corantes e gomas, a de Antonina preza pela pureza:
- A Matéria-Prima: Usa-se apenas banana madura (geralmente a caturra ou nanica), açúcar e glicose de milho.
- O Cozimento: A fruta é cozida em tachos de cobre ou aço inox por horas, até atingir o ponto de “puxa” natural e a cor escura característica.
- Sem Químicos: Não leva conservantes. O próprio açúcar e o tempo de cozimento garantem a preservação.
- O Corte: Tradicionalmente, as balas eram cortadas e embrulhadas manualmente, uma a uma.
Verde ou Laranja? O Eterno Dilema
Se você for a Antonina, verá duas marcas dominantes que dividem o coração dos fãs:
- Bala Antonina (Papel Verde): A mais antiga em atividade contínua, famosa pelo equilíbrio perfeito entre o doce e a acidez da fruta.
- Bananina (Papel Laranja/Amarelo): Conhecida por uma textura levemente mais macia e por inovar com versões com pimenta ou chocolate.
Onde Encontrar?
Hoje, você não precisa viajar até o Paraná para garantir o seu pacote (embora a viagem valha a pena pelo visual da Estrada da Graciosa):
- Em Antonina: Nas lojinhas de fábrica e no Mercado Municipal.
- Curitiba: Praticamente em todas as bancas do Mercado Municipal e aeroporto.
- Online: Ambas as marcas (Bala Antonina e Bananina) possuem e-commerce próprio e entregam em todo o Brasil.
- São Paulo: Empórios especializados em produtos artesanais e lojas de produtos naturais costumam ter o estoque renovado.
Fontes: INPI (Indicação Geográfica), Prefeitura Municipal de Antonina e Sebrae-PR.