O mês de março de 2026 marca uma virada histórica no clima do Brasil. Após meses sob influência do La Niña, o fenômeno perde força definitiva, dando lugar a uma fase de neutralidade que precede a chegada de um novo El Niño. Para quem vive no Sudeste, especialmente em São Paulo, o mês será de transição e extremos.
Embora março marque o início da redução gradual das chuvas (o fim do “período úmido”), o aquecimento das águas do Pacífico próximas à costa da América do Sul deve atuar como um combustível extra, podendo estender as instabilidades até abril.
São Paulo e Litoral
No estado de São Paulo, a tendência é de chuvas dentro ou ligeiramente acima da média histórica. O grande destaque, porém, é a irregularidade: o mês deve alternar dias de calor intenso, com temperaturas acima dos 30°C, e pancadas de chuva fortes no final da tarde, as famosas “águas de março”.
No litoral paulista, o risco continua elevado. A combinação de solo já encharcado pelas frentes frias de fevereiro e a entrada de umidade marítima mantém o alerta para deslizamentos em áreas de encosta. Cidades da Baixada Santista e do Litoral Norte devem ter um março com muitas nuvens e chuvas frequentes, típicas da mudança de estação.
O “fator” El Niño já em março
Embora o El Niño deva se consolidar apenas no inverno, os termômetros do Pacífico já começam a subir agora. Esse aquecimento precoce pode causar:
- Frentes frias mais lentas: Os sistemas que trazem chuva podem demorar mais para passar pelo litoral, aumentando o volume acumulado.
- Bloqueios atmosféricos: Dias de calor seco intercalados com temporais isolados e severos.
- Mar agitado: Maior frequência de ressacas na costa paulista devido à passagem de ciclones extratropicais pelo Atlântico Sul.
O que monitorar?
A atenção deve ser redobrada nas rodovias que ligam a capital ao litoral (Anchieta-Imigrantes, Tamoios e Mogi-Bertioga). Com a neutralidade climática, os sistemas regionais ganham força, o que significa que temporais localizados podem ser muito intensos, mesmo sem um alerta geral para todo o estado.
Fontes pesquisadas:
INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) – Prognóstico de Outono 2026.
CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos).
NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional – EUA).
Boletins climáticos da Climatempo e MetSul Meteorologia.
Defesa Civil do Estado de São Paulo.