Criatura rara das profundezas do oceano, o peixe-remo desperta curiosidade sempre que aparece próximo da superfície.
Com um corpo longo e prateado que pode atingir vários metros de comprimento, esse animal é pouco visto por humanos, o que ajuda a explicar o mistério que o cerca e o motivo de ser chamado de “peixe do fim do mundo”.
Conhecido cientificamente como Regalecus glesne, ele vive em regiões profundas do oceano e raramente entra em contato com áreas costeiras.
Um morador das profundezas
O peixe-remo habita normalmente entre 200 metros e cerca de 1 quilômetro de profundidade, em zonas oceânicas onde a luz quase não chega. Por isso, a maioria dos registros ocorre em situações incomuns.
Entre os casos mais comuns estão:
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Animais encontrados encalhados em praias
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Espécimes mortos levados pelas correntes
- Raras aparições próximas à superfície
Durante décadas, cientistas tinham pouquíssimas informações sobre o comportamento do animal. O primeiro registro de um peixe-remo vivo na água ocorreu apenas em 2001, enquanto a observação em seu habitat natural só aconteceu em 2010, no Golfo do México.
Desde o início do século 20, menos de 30 exemplares foram documentados oficialmente, o que mostra como a espécie é rara.
Aparições recentes chamam atenção
Nos últimos anos, houve um pequeno aumento nos registros, e apenas em 2025, foram seis aparições registradas em diferentes regiões do oceano, incluindo áreas próximas à India e à Australia.
Já 2026 começou com dois novos registros, o que rapidamente chamou atenção nas redes sociais e reacendeu antigas histórias associadas ao animal.
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O ‘peixe do juízo final’ no folclore
No Japão, o peixe-remo é conhecido como ryūgū no tsukai, expressão que significa “mensageiro do palácio do deus do mar”.
A crença está ligada à tradição do Shinto, e segundo o folclore, o animal seria um mensageiro de Susanoo, divindade associada aos mares e tempestades.
Quando aparece perto da superfície, ele seria um aviso de possíveis desastres naturais, como:
- Terremotos
- Tsunamis
- Grandes tempestades
Essa ideia ficou popularmente conhecida como a lenda do ‘peixe do juízo final’.
O que dizem os cientistas
Apesar das histórias, estudos científicos indicam que essa relação provavelmente não existe. Uma pesquisa liderada pelo cientista Yoshiaki Orihara analisou registros de aparições de espécies abissais e comparou com dados de terremotos no Japão. O resultado mostrou ausência de relação consistente entre os eventos.
Segundo os pesquisadores, o fenômeno pode ser explicado pela chamada correlação ilusória, quando pessoas conectam dois acontecimentos raros que apenas coincidem no tempo.
Mesmo sem prever desastres, o peixe-remo continua sendo um dos animais mais enigmáticos do oceano, e cada nova aparição ainda desperta fascínio entre cientistas e curiosos ao redor do mundo.
