Os recentes ataques da guerra entre Israel e Irã preocupam o mundo devido à sua crescente expansão e brutalidade, tirando incontáveis vidas. Em teoria, é comum imaginar que o conflito abrange apenas países próximos no Oriente Médio; no entanto, os impactos não dependem apenas da proximidade geográfica, atingindo inúmeros países ao redor do mundo, inclusive o Brasil.
Segundo o economista Luciano Simões, este tipo de conflito afeta profundamente a economia global, impactando os setores energético, industrial e de transportes.
“O Brasil acaba sendo impactado porque a economia mundial é altamente integrada. Conflitos no Oriente Médio afetam principalmente o preço da energia, o transporte internacional e o câmbio. Quando o petróleo sobe ou quando o frete marítimo fica mais caro, esses custos acabam sendo repassados para toda a cadeia produtiva”.
Em consequência do fator mencionado pelo profissional, os valores por parte da prestação de serviços aumentam continuamente, incluindo os produtos diários que frequentemente consumimos.
“Isso pode influenciar o preço de produtos do dia a dia, desde alimentos até roupas e itens industrializados, porque transporte, logística e energia fazem parte do custo de praticamente todos os bens consumidos”.
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Referência em produção de petróleo
Independentemente do local, o petróleo é um elemento altamente valorizado em todo o mundo. Uma questão curiosa é que o Oriente Médio é referência na produção desse recurso em específico. Portanto, com a continuação da guerra, o ramo petrolífero também se encontra prejudicado, aponta Simões.
“O Oriente Médio concentra uma parcela relevante da produção mundial de petróleo. Quando há risco de interrupção na oferta, como no caso de um conflito envolvendo o Irã, o mercado reage rapidamente e o preço do barril tende a subir. No Brasil isso também tem impacto, porque os combustíveis seguem referências internacionais”.
Os perigos, todavia, não englobam apenas o petróleo; Simões cita a possibilidade da mudança de rotas de transporte, considerando a tensão geopolítica. Isso pode desencadear variações de preços e maiores demandas.
“Além do petróleo, outras commodities também podem sofrer variações de preço, principalmente alimentos e grãos, já que tensões geopolíticas podem afetar rotas comerciais e gerar mudanças na oferta e na demanda global”.
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Transporte e logística
Assim como o especialista menciona, as rotas comerciais mudam constantemente durante conflitos internacionais. Como resultado, as áreas de transporte e logística se tornam mais voláteis, com custos e fretes mais elevados.
“Conflitos em regiões estratégicas podem afetar rotas marítimas importantes e elevar o custo do transporte internacional. Quando o frete fica mais caro ou quando há necessidade de rotas alternativas, as empresas acabam enfrentando custos logísticos mais elevados. Esses valores tendem a ser repassados ao longo da cadeia produtiva e, no final, podem influenciar os preços pagos pelo consumidor”.
Alta do dólar
Adicionalmente, Simões ressalta que as tensões geopolíticas provocam mudanças nas moedas internacionais, incluindo o dólar, um dos sistemas mais valorizados do mundo.
“Em momentos de maior tensão, é comum que investidores busquem ativos considerados mais seguros, como o dólar. Isso tende a fortalecer a moeda americana globalmente. Para países emergentes, como o Brasil, esse movimento pode resultar em pressão de alta sobre o dólar, o que também encarece importações e pode gerar impactos adicionais sobre a inflação”.
Impactos econômicos ao Brasil
Dentre os efeitos mais prejudiciais ao Brasil, o economista cita que o conflito atual afeta, principalmente, a produção petrolífera nacional. Por conseguinte, é possível que consequências inflacionárias sejam observadas.
“Se o conflito se prolongar, os principais impactos para o Brasil podem vir da alta persistente do petróleo, da pressão cambial e do aumento dos custos logísticos internacionais. Isso pode gerar efeitos inflacionários, especialmente sobre combustíveis e transporte. Por outro lado, o país também pode se beneficiar em parte com a valorização de commodities exportadas, como petróleo, produtos agrícolas e minerais”.
Quanto à gravidade desses prejuízos, os impactos iniciais podem ser relativamente leves, à primeira vista. Contudo, dependendo de sua continuidade, os efeitos podem ser mais intensos.
“Na maioria dos casos, os impactos iniciais costumam ser mais intensos no curto prazo, especialmente nos preços de energia e no câmbio. No entanto, se o conflito se prolongar ou provocar mudanças estruturais nas rotas comerciais e na oferta de petróleo, alguns efeitos podem se tornar mais duradouros. Tudo vai depender da evolução do cenário geopolítico e da duração das tensões na região”.
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Maneiras de ‘controlar’ a instabilidade econômica
O especialista finaliza destacando que, para evitar potenciais danos econômicos, é fundamental aderir a aspectos como o fortalecimento da produção interna e de parceiros comerciais.
“A principal forma de preparação é manter fundamentos macroeconômicos sólidos, com estabilidade fiscal, reservas internacionais robustas e políticas econômicas previsíveis. Além disso, a diversificação de parceiros comerciais e o fortalecimento da produção interna de energia e alimentos ajudam a reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos”.
