Apenas 13 países e territórios no mundo conseguiram manter a qualidade do ar dentro dos limites considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025. O dado faz parte do mais recente Relatório Mundial de Qualidade do Ar, elaborado pela empresa suíça de monitoramento IQAir, e mostra que a poluição avança em escala global.
No Brasil, o cenário também é de alerta, pois os dados consolidados mais recentes do governo mostram que nenhuma região do país respira um ar totalmente limpo.
O estudo internacional analisou mais de 9.000 cidades em 143 países. O resultado aponta que a qualidade do ar está piorando no planeta, impulsionada pelas mudanças climáticas. Entre os principais culpados em 2025 estão a fumaça de queimadas florestais históricas e o uso de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.
A OMS define como limite seguro a presença de até 5 microgramas por metro cúbico de partículas finas no ar. Essas partículas vêm de escapamentos de carros, indústrias e queimadas. Por serem minúsculas, elas entram profundamente nos pulmões e no sangue, causando asma, infartos e câncer.
No mundo, 91 por cento dos países não respeitaram esse limite em 2025.
Onde está o ar limpo no mundo?
O grupo que cumpre as regras da OMS é formado por locais isolados ou ilhas. Na Europa, apenas Andorra, Estônia e Islândia passaram no teste. Os outros dez são Austrália, Barbados, Bermudas, Polinésia Francesa, Granada, Nova Caledônia, Panamá, Porto Rico, Reunião e Ilhas Virgens Americanas.
Na outra ponta, os países mais poluídos do mundo foram Paquistão, Bangladesh e Tajiquistão. Na Índia, a cidade de Loni registrou um ar 22 vezes mais poluído do que o recomendado.
- LEIA TAMBÉM: Praia mais poluída do litoral tem água imprópria o ano inteiro e continua sendo destino turístico
A realidade invisível no Brasil
Embora o Brasil não esteja no topo dos países mais poluídos do planeta, os dados nacionais mostram um problema crônico e generalizado. Segundo o último balanço do Painel Vigiar (uma parceria dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente com dados consolidados de 2023), os brasileiros respiram ar acima do teto da OMS.
A média nacional registrada foi de 9,9 microgramas por metro cúbico — praticamente o dobro do limite de 5 microgramas estipulado pela Organização Mundial da Saúde.
A região Norte registrou a pior média do país (15,1 microgramas), puxada por estados como Rondônia e Amazonas. O desmatamento e as queimadas na Amazônia têm impacto direto na qualidade do ar que a população respira, de forma parecida com o que os incêndios florestais causam na Europa e na América do Norte.
No Sudeste, a cidade de São Paulo registrou uma média de 36,5 microgramas por metro cúbico, um número que se assemelha a polos industriais e grandes centros urbanos de países em desenvolvimento. No Rio de Janeiro, a média ficou em 13,3 microgramas, e em Minas Gerais, 96 por cento das cidades respiram um ar fora do padrão desejável.
A região Sul registrou 9,1 microgramas e o Centro-Oeste marcou 9,8 microgramas. O Nordeste apresentou o melhor índice médio do Brasil (8,1 microgramas), mas ainda assim ultrapassa o teto internacional em 62 por cento.
Falta de dados e vigilância
O relatório da IQAir aponta que o monitoramento global de poluição sofreu apagões em 2025. O governo dos Estados Unidos encerrou seu programa global de medição, deixando milhões de pessoas sem acesso a dados locais em tempo real. Outros 44 países tiveram seus sistemas de fiscalização enfraquecidos.
Tanto no Brasil quanto no exterior, os órgãos de saúde convergem no mesmo diagnóstico: a exposição contínua a esses poluentes é hoje um dos principais problemas de saúde das cidades. Como a fumaça não respeita fronteiras, quem mora nos grandes centros urbanos ou perto de áreas agrícolas e florestais acaba respirando o problema diariamente.
