O mercado imobiliário da Baixada Santista viveu um fevereiro de contrastes. Enquanto as vendas de imóveis desaceleraram, as locações dispararam, um sinal claro de que o consumidor está readequando suas escolhas diante de um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e cautela nas finanças familiares.
Levantamento realizada pela CRECISP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) com 145 imobiliárias da região aponta queda de 11,78% nas transações de compra e venda na comparação com fevereiro de 2025.
No mesmo período, os contratos de locação cresceram expressivos 59,53%, revertendo a queda registrada em janeiro e colocando o segmento como o grande motor do setor no início de 2026.
Vendas: crédito ainda sustenta, mas comprador segura o passo
Apesar da retração, o financiamento segue como principal via de acesso à casa própria. A Caixa respondeu por 29,4% das operações, outros bancos por 25,5%, enquanto as compras à vista representaram 31,4%, um indicativo de que há compradores com capacidade de poupança ainda ativos no mercado.
Os apartamentos lideraram as vendas (55%), seguidas por casas (45%). A faixa de preço mais disputada foi a de R$ 201 mil a R$ 300 mil, responsável por 37,3% das negociações, evidenciando a busca por custo-benefício.
Locação em alta: compactos, tíquete mais alto e o fim do fiador
O segmento de locação foi o grande destaque do período. Os apartamentos dominaram (75%), com forte demanda por unidades compactas de até 100 m², um perfil que atende desde jovens morando sozinhos até famílias que buscam reduzir custos.
Os valores dos aluguéis apontam elevação do tíquete médio: 18% dos contratos ficaram entre R$ 2.001 e R$ 2.500, e 12% entre R$ 2.501 e R$ 3.000, indicando que a locação tem atraído também uma demanda qualificada.
Uma mudança estrutural chama atenção, o depósito caução consolidou-se como principal garantia (62,9%), seguido pelo seguro-fiança (31,4%). O fiador tradicional praticamente desapareceu (1,4%), evidenciando a busca por menos burocracia e mais segurança jurídica nas relações locatícias.
Mercado se reacomoda
Os números de fevereiro desenham um mercado em transformação. A queda nas vendas não indica esfriamento estrutural, mas sim uma readequação à realidade econômica. Já a disparada das locações mostra que a demanda por moradia segue aquecida, apenas migrou de canal.
No acumulado dos últimos 12 meses, o desempenho do setor na Baixada Santista segue robusto: as vendas acumulam alta de 65,57% e as locações, 135,10%. Os números reforçam que, apesar das oscilações mensais, o mercado regional mantém fundamentos sólidos, sustentado por atratividade turística, migração de grandes centros e investimentos em infraestrutura.
Para os próximos meses, a expectativa é que as locações sigam puxando o movimento, enquanto as vendas devem reagir conforme o cenário de crédito evoluir. Até lá, compradores e locatários seguem caminhos distintos, uns aguardando o momento certo para comprar, outros aproveitando a flexibilidade de um mercado de locação em plena ebulição.
