A Páscoa de 2026 teve desempenho abaixo do esperado para a Lindt & Sprüngli, com produtos encalhados nas prateleiras e críticas de varejistas europeus. Redes internacionais como Edeka e Rewe já indicam que devem reduzir a presença da marca em datas sazonais.
Segundo relatos ao jornal Lebensmittel Zeitung, itens tradicionais como coelhos e ovos de chocolate tiveram baixa saída mesmo com descontos. “Ficaram parados como chumbo nas prateleiras”, afirmou um varejista ligado à Edeka.
Preço elevado afasta consumidores
A principal reclamação do setor é o preço dos produtos. Segundo comerciantes, os chocolates da Lindt perderam competitividade diante de alternativas mais baratas e de marcas próprias dos supermercados.
“Os clientes não estão mais dispostos a aceitar isso”, disse o varejista Uwe Georg, da Edeka. A percepção é que o consumidor migrou para opções mais acessíveis em meio ao cenário econômico.
Descontos tardios e vendas fracas
Ainda segundo lojistas, as promoções de até 25% não foram suficientes para impulsionar as vendas. Parte do problema foi o timing: os descontos teriam chegado tarde demais para estimular o consumo antes do feriado.
“O aumento esperado nas vendas na Quinta-feira Santa não se concretizou”, relatou Rocco Capurso, que administra a rede de supermercados da Edeka. A demanda só teria reagido nos dias finais, sem compensar o desempenho geral.
Impacto econômico
Além dos preços, o contexto econômico também pesou. O aumento nos custos de combustíveis, associado a tensões internacionais recentes, teria reduzido o poder de compra dos consumidores, afetando não só chocolates, mas outras categorias.
Segundo varejistas internacionais, houve uma retração no consumo nas semanas que antecederam a Páscoa, frustrando expectativas do setor.
Revisão de projeções acende alerta
O desempenho fraco nas vendas ocorre em meio a um cenário mais amplo de cautela da própria Lindt & Sprüngli. No mês passado, o Money Report e o Valor Econômico informaram que a companhia reduziu sua projeção de crescimento orgânico, agora estimada entre 4% e 6%, abaixo da meta anterior de 6% a 8%.
A revisão foi justificada por riscos geopolíticos e incertezas no cenário global, e levou à queda das ações da empresa no mercado. Ainda assim, a fabricante manteve a expectativa de expansão da margem operacional, projetada entre 20 e 40 pontos-base.
No balanço mais recente, referente a 2025, a Lindt reportou vendas de 5,92 bilhões de francos suíços (cerca de US$ 7,92 bilhões), alta de 12,4% em relação ao ano anterior. O lucro líquido somou 727,2 milhões de francos suíços, crescimento de 8,1% e acima das estimativas de analistas.
A empresa também anunciou um programa de recompra de ações de 1 bilhão de francos suíços, sinalizando confiança na geração de caixa.
Dúvidas do mercado
Apesar das justificativas, analistas veem a revisão com cautela. Para parte do mercado, o recuo nas projeções pode refletir não apenas fatores externos, mas também uma desaceleração na demanda e dificuldades no crescimento de volume de vendas.
Há ainda questionamentos sobre o peso das tensões geopolíticas no desempenho da empresa, já que a exposição da Lindt a regiões mais afetadas é considerada limitada.
Mudanças à vista
Diante do cenário, as redes varejistas já estudam rever suas estratégias. Um varejista da Rewe afirmou que pretende limitar a oferta de produtos da Lindt no Natal a itens mais baratos.
Na Edeka, a avaliação é que a marca pode perder espaço para linhas próprias, mais competitivas em preço. Para parte do setor, a Páscoa de 2026 marca um ponto de inflexão no domínio da Lindt em produtos sazonais.
