Adeus ao Mão Santa: por que Oscar Schmidt disse ‘não’ à NBA para virar o maior herói do Brasil

O maior pontuador do basquete recusou liga para defender o Brasil; regra da FIBA impedia atletas da NBA na Seleção

Oscar Schmidt recusou jogar na NBA para não abrir mão da Seleção Brasileira/Instagram

O esporte mundial entrou em luto nesta sexta-feira (17) com a notícia da morte de Oscar Schmidt, o “Mão Santa”, como era carinhosamente conhecido. O atleta brasileiro deixou um legado inigualável como o maior pontuador da história do basquete.

Além de sua precisão nos arremessos, um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória foi quando Oscar Schmidt recusou jogar na NBA principalmente para não abrir mão da Seleção Brasileira em seu auge.

Na época, as regras da FIBA proibiam atletas que atuavam na liga norte-americana de defender seus países em competições internacionais, o que colocava o jogador diante de uma escolha direta entre a NBA e a equipe nacional. Competitivo e identificado com o Brasil, o ala optou por permanecer no basquete internacional.

A decisão se refletiu em conquistas históricas, como o título do Pan-Americano de 1987, quando o Brasil derrotou os Estados Unidos em Indianápolis.

Decisão definitiva

Mesmo após a mudança nas regras no início dos anos 1990, quando jogadores da NBA passaram a ser liberados para as seleções, Oscar Schmidt voltou a recusar propostas. Já aos 34 anos, avaliou que não estava mais no auge físico necessário para competir na liga. Antes disso, porém, ele chegou a ser draftado pela NBA.

O brasileiro foi escolhido em 1984 pelo Brooklyn Nets — então chamado de New Jersey Nets — durante um dos drafts mais históricos da liga, que também contou com nomes como Michael Jordan, Hakeem Olajuwon e Charles Barkley.

O draft da NBA é o processo anual em que as franquias escolhem jogadores para integrar seus elencos. Naquele período, o formato era diferente do atual e contava com mais rodadas.

Oscar Schmidt foi escolhido na sexta rodada, na 131ª posição geral, o que indicava um vínculo não garantido e poucas chances iniciais de protagonismo. Ainda assim, seu desempenho no basquete europeu, especialmente na Itália, já chamava atenção internacional.

Mesmo sem ter atuado na liga americana, o brasileiro recebeu o reconhecimento máximo do esporte. Em 2013, entrou para o Hall da Fama do basquete, nos Estados Unidos, consolidando sua trajetória como uma das mais relevantes da história mundial. Com sua partida nesta sexta-feira, o basquete perde sua maior referência de dedicação à bandeira nacional.