É preciso redescobrir o TAMTAM

Referência no Brasil e no Mundo, o projeto atende deficientes e crianças e adolescentes com problemas mentais e sobrevive sem apoio público e privado

Em 1º de setembro próximo, o Projeto TAMTAM completa 25 anos. Nesta segunda-feira (30), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, por iniciativa da deputada Telma de Souza (PT), realiza ato solene em comemoração ao Jubileu de Prata TAMTAM, no terceiro piso do Teatro Municipal – à Avenida Pinheiro Machado, 48, na Vila Mathias.
Porém, mesmo sendo uma referência no Brasil e no Mundo, mesmo sendo de fundamental importância à saúde pública e à inclusão de pacientes à sociedade, o MTAM precisa urgentemente ser redescoberto.


Há anos, o poder público, a iniciativa privada, enfim, os santistas simplesmente esqueceram o TAMTAM, pois o projeto, que começou em Santos e, até hoje, continua sendo a maior exemplo no acolhimento e tratamento de pessoas com múltiplas deficiências está praticamente enclausurado nas dependências do Teatro Municipal, onde recebe a homenagem esta semana.
Liderada pelos arte-educadores Renato Di Renzo e Cláudia Alonso, o TAMTAM, que já atendeu milhares de pessoas, luta com dificuldades para manter a assistência dos atuais 180 alunos, de sete a 75 anos que, aos poucos e diariamente, ultrapassam obstáculos, conquistam espaços, vencendo o preconceito e a discriminação.
Pautada pela diversidade, pluralidade e  principalmente a inclusão, a Associação TAMTAM – que funciona no Espaço Sociocultural e Educativo Café Teatro Rolidei – embora seja reconhecida como de utilidade pública, não tem convênio, subvenção ou qualquer apoio financeiro, mesmo já tendo conquistado diversos prêmios dentro e fora da Cidade.
No Café Teatro Rolidei, enquanto as mães trocam experiências e ajudam na manutenção do espaço, os filhos – sem pagar absolutamente nada – participam de oficinas, apresentações musicais e teatrais, saraus de poesia, palestras, workshops, conferências, lançamentos de livros e outras atividades, que proporcionam qualidade de vida, saúde mental coletiva enfim, como dizem Di Renzo e Cláudia “celebram a vida”.
Como não há verba oficial, a Associação TAMTAM conta com um grupo de seis voluntários (só dois recebem um pequeno cachê) que não só atende os alunos, mas também quase dois mil beneficiários indiretos, entre familiares, amigos, vizinhos, colegas de escola e faculdades.
Eles se superam como artistas, educadores e, porque não, como auxiliares de limpeza e administradores do espaço.
Ano passado, o TAMTAM firmou parceria com o Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões do Estado de São Paulo e, por intermédio de um termo de cooperação técnica, poderá profissionalizar pessoas portadoras de deficiência, que receberão registro de ator, atriz, contrarregra, iluminador e outras funções da profissão de artista e técnico.