“Se o TAMTAM parar, centenas de pessoas terão que migrar para o serviço público em busca de tratamento e atividades ocupacionais. Além disso, todos os avanços conquistados nos últimos anos regredirão. É preciso um novo olhar para a Associação”, afirma Cláudia Alonso, que lembra que cartazes, panfletos, encontros e debates sobre a luta antimanicomial são importantes, mas é preciso ajudar quem há anos põe literalmente a mão na massa e promove a recuperação e inclusão das pessoas, evitando a segregação.
Há 20 anos no Projeto TAMTAM, Cláudia lembra que o trabalho da Associação é diário e requer quebra de obstáculos que poucos conhecem. “O TAMTAM faz parte do rol de políticas públicas e precisa, por exemplo, de profissionais treinados e pagos, além de investimentos no Espaço Rolidei, cedido pela Prefeitura. A palavra inclusão virou moda de uns tempos para cá, mas o TAMTAM promove a inclusão desde 89”, afirma, a psicóloga e bailarina, que chegou ao projeto pelas mãos do ex-prefeito Davi Capistrano, na época secretário de Saúde de Santos.

“No meu primeiro dia, no Anchieta, percebi gente pintando paredes, esculpindo, encenando, enfim, fazendo todo o tipo de arte e, naquele momento, não consegui saber quem era louco e quem era normal, quem era técnico e quem era paciente. Foi quando me dei conta que estava diante de um trabalho especial, em que o verbo ‘fazer’ é fundamental. Eu, literalmente, tirei as sapatilhas dos pés naquele momento e entrei na luta para potencializar as pessoas”, lembra, alertando que isso a move até os dias de hoje.
Cláudia Alonso reafirma que, atualmente, o Projeto TAMTAM precisa de investimentos técnicos e financeiros. “Embora tenhamos voluntários, é preciso pessoas que se preocupem, por exemplo, com a manutenção da salubridade do Rolidei, pois lidamos com crianças e idosos. A gente trabalha com saúde, prevenção e dezenas de outros segmentos. Nosso desejo é ter aqui também profissionais remunerados, que possam se dedicar 100%”, salienta.
Renato Di Renzo garante que é preciso pouco para “tocar” o TAMTAM. Ele já tem até um projeto pronto. “No começo, eu não tinha uma equipe multidisciplinar, mas sim uma formada só por psicólogos. Eu conheço pessoas de várias áreas que poderiam entrar no projeto. Com verba, nós poderíamos recriar o TAMTAM, até com terapias alternativas, aumentando o trabalho de saúde pública e social já desenvolvido pela Associação. Saúde mental é exatamente a qualidade de vida das pessoas”, garante Di Renzo.
O educador disse que já se reuniu com vereadores de Santos para alertá-los sobre a necessidade de ampliar o TAMTAM. “A sensibilização já foi feita. Já mostramos trabalho e obtivemos vários prêmios. Hoje, parece que não existimos. A associação vive sem dinheiro para promover a inclusão. O TAMTAM é apolítico e não é meu. É da Cidade de Santos, porque é o único que faz o questionamento da saúde mental do Município e esse trabalho é reconhecido no Mundo”, desabafa.
Finalizando, Di Renzo garante que há várias maneiras de se detectar problemas mentais que, vistos com antecedência, pode-se tratá-los e evitar até suicídios. “Não sei até quando conseguiremos resistir sem apoio”, afirma, alertando que para não deixar que o projeto morra, já analisa propostas de outros municípios e até de outros estados.