Infelizmente é comum no nosso país termos regiões, principalmente em periferias ou bairros de classe baixa, sem opções de lazer e atividades esportivas. O caminho das ruas por vezes é traçado por crianças que nem sempre têm uma família estabilizada e estruturada em casa. É justamente neste sentido que o projeto Minha Comunidade da UACEP (União de Amparo a Comunidades de Escolas Públicas) trabalha. Graças a esta iniciativa, as pessoas que residem no BNH (Banco Nacional de Habitação) do bairro da Aparecida ganharam um polo de esportes que oferece, além de atividades esportivas, auxílio às famílias em geral.
“O projeto existe desde 2007 e foi criado com o intuito de estar resgatando as atividades dentro da comunidade, já que antes do Shopping Praiamar existiam alguns campos de futebol e nós tínhamos esses campos como atividade esportiva. Com o passar do tempo e a chegada do shopping, as crianças passaram a não ter uma possibilidade de atividade esportiva”, conta o professor de Educação Física Alex Tadeu Alves Rosa, de 37 anos, presidente fundador do projeto Minha Comunidade. “Foi aí que eu tive a ideia, junto com três professores de educação física da comunidade, em cima da necessidade de fazermos um trabalho voltado a valores, já que moramos numa comunidade difícil, onde tudo que é de vulnerabilidade social está muito exposto. Não só para criança, mas toda família em geral”, explica Alex.
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Atualmente, o projeto conta com cerca de 700 crianças em oferece 15 modalidades esportivas de segunda à sexta-feira, das 18h30 as 22 horas. Porém, o início foi mais modesto.
“Iniciamos com duas modalidades, o futebol e o judô, e já rebanhamos cerca de 30 alunos na época. Com o decorrer do processo, nós vimos que não adiantava dar o direcionamento para as crianças sendo que os valores familiares eram totalmente deturpados. Era um trabalho perdido”, disse, antes de completar. “Revimos os conceitos e a partir daí começamos a atender não só as crianças, mas a família toda com o mesmo intuito. Além de fortalecer os laços entre as famílias, estar disseminando o esporte entre elas. Fechar esse leque dá uma condição para a família”, garante Alex, que nasceu, foi criado e mora no bairro da Aparecida até hoje.
Como a Escola Municipal dos Andradas fica localizada exatamente no meio do BNH do bairro da Aparecida e a ideia era trabalhar com os próprios alunos na unidade, Alex propôs uma parceria em troca do espaço no período noturno.
“Com o decorrer do trabalho, esses alunos da unidade escolar que apresentavam problemas, passaram a não dar mais problema. Se o aluno tiver problema na escola, automaticamente ele seria cobrado no projeto. A gente não tirava ele do esporte porque somos um projeto social, mas não deixávamos disputar campeonatos, conversávamos. Não é um caráter de repressão, a gente não exclui do projeto, mas penaliza tirando da parte boa, tirando de viagens, campeonatos. E faz com que as crianças melhorem”, conta Alex, ao receber a reportagem do Diário do Litoral na apertada sela de administração do projeto, dividida entre materiais esportivos, arquivos e computadores.
Com o crescimento da ideia embrionária e da necessidade de buscar recursos, Alex conseguiu inscrever e aprovar o projeto Minha Comunidade na Lei de Incentivo ao Esporte, que beneficia empresas que destinem recursos à projetos sociais ou de alto rendimento com descontos no IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano). E há três anos o Grupo Mendes, através do Shopping Praiamar, colabora com a ajuda de custo dos professores e com a compra de materiais esportivos.
“Então, nós tínhamos os campos e passamos a não ter mais por causa do shopping. E o shopping, sensibilizado por toda essa realidade, passou a patrocinar a Lei de Incentivo ao Esporte para colaborar com a nossa atividade. Hoje, apenas os professores de danças são voluntários porque eles não estão inseridos na Lei de Incentivo, mas estamos trabalhando para que eles também recebam a ajuda de custo”, revela Alex, lembrando que nesse momento 15 professores, três administradores e três voluntários trabalham no projeto Minha Comunidade e fazem tudo acontecer.