O projeto Minha Comunidade da UACEP (União de Amparo a Comunidades de Escolas Públicas) não é diferente de praticamente todos os projetos sociais, convive com dificuldades alarmantes e muitas vezes desmotivantes. No sétimo ano de trabalhos prestados e amparo a milhares de famílias, o projeto Minha Comunidade precisa de uma união maior das próprias pessoas que são beneficiadas para se manter em pé.
“Muitas vezes nós fazemos jantar dançante, almoço, noite da pizza, tudo para poder arrecadar nem que seja mil reais, que não é o suficiente, mas temos que fazer para estar tentando suprir as necessidades para dar continuidade ao projeto”, explica Alex Tadeu, presidente e fundador. “Ao longo desses anos, as dificuldades são imensas. Muitas vezes a gente desestimula, tem vontade de desistir. Por mais que você tenha ajuda, nós temos gastos mensais, temos alvará de funcionamento. Um projeto social, para você ter todas as certidões certinhas para conseguir recurso, você tem que pagar”, explica, em busca de uma sensibilização maior das pessoas que frequentam a Escola dos Andradas se segunda à sexta, no período noturno, para se exercitar.
“Nossa maior dificuldade é que, muitas das vezes, as pessoas que são atendidas não dão muito valor nessas horas. Por mais que o aluno não pague, muitas vezes a família não tem a sensibilidade de comprar um convite da noite da pizza, por exemplo, para ajudar. Não abraçam a causa. A gente ainda se sente um pouco carente de pessoas que vistam a camisa para que, juntos, possamos correr atrás do mesmo objetivo”, cobrou Alex.
Diante de todos os percalços, Alex Tadeu se mantém firme na busca de uma ideia que lateja em sua cabeça desde o dia que acreditou pela primeira vez que poderia viabilizar um projeto social para ajudar crianças e famílias carentes no convívio e em sua formação através do esporte. Entre tantos motivos, Alex explica o motivo se sua insistência.
“Primeiro por acreditar no futuro. Muitas vezes eu me coloco no lugar das pessoas porque eu também tenho filho. Nós vivenciamos muitas coisas ruins. Então, quando a gente pensa em desistir, a gente pensa que poderia ser muito pior. Em 2007 nós começamos com nada e hoje temos alguma coisa. Nem tudo está perdido, ainda existem pessoas comprometidas não só com o projeto, mas com a causa”, afirmou, para em seguida ressaltar que há alguns anos ele próprio foi beneficiado pela atitude de alguém. “Eu lembro que um dia também me ajudaram. Aí a gente pensa: ‘não desistiram de mim. Como eu posso desistir deles’. Em 1988 era muito pior e eles conseguiam”.