Na prática, o projeto Minha Comunidade desfruta de um crescimento evidente muito por causa da eficiência no resultado de sua proposta e por conseguir corresponder as expectativas de todas as partes envolvidas: alunos, pais e professores.
“Tem muitas crianças que começaram aqui e a gente vê hoje já trabalhando. A molecada vai crescendo, evoluindo e fazem questão de vir”, conta o professor de futsal Alan Franco Rodrigues dos Santos, de 30 anos, e que está no projeto desde o início.
“A cobrança, no geral, é de comportamento, de educação. Vários pais já vieram falar com a gente sobre isso e a nossa conversa com as crianças muitas vezes acaba sendo melhor até do que a dos pais. Eu acho que esse respaldo que nós temos dos pais é o mais importante. É um vínculo nosso e tem sido bacana”, revelou Alan dos Santos, enaltecendo a importância da criança ter convívio com o esporte. “O legal do esporte é isso. Quando a gente está dentro do esporte é uma coisa única. Não tem mais rico, mais pobre. Não tem cor, peso, idade. Todos podem praticar, todos são bem-vindos. A nossa única cobrança é essa, ser um bom aluno na escola, ter um bom comportamento em casa e respeitar o projeto como um todo”, disse, esbanjando orgulho e motivação com trabalho desenvolvido. “Quando eles estão aqui, parece que eles esquecem de tudo, dos problemas. E essa é a parte legal do esporte”, finalizou.
Enquanto isso, as crianças demonstram sua aprovação de forma mais tímida, talvez pela dificuldade natural de expressar sentimentos com palavras, porém, dão suas respostas com gestos e empenho durante as aulas.
“Estou há cinco anos e acho muito bom porque ensina a jogar futebol. Não tem nada de ruim aqui”, disse Felipe Quintanilha, de apenas 10 anos. “Estou desde o início (do Projeto). Faço futsal, basquete e esgrima”, conta Kaio Juan Carvalho Tinoco, de 12 anos, que passou a participar após uma conversa de Alex Tadeu com sua mãe.
Já a dona de casa Maria Helena Guedes, de 67 anos, conta a experiência de quem acompanha o neto André Geovane Vasconcelos Reatto Natal, de apenas 11 anos, nas aulas do Projeto Minha Comunidade, na Escola Municipal dos Andradas.
“Ele está há um ano e meio. Sempre eu que trago”, falou dona Maria Helena, explicando que o neto se integrou após conversar com amigos da escola que já participavam das atividades no período da noite. “Aqui é tudo gratuito e é ótimo, maravilhoso. Uma coisa excelente para criança, para tirar da rua. Eles participam de campeonatos, eu acho ótimo. Tem muita disciplina”, explicou. “Isso aqui, se acabar, vai ser muito triste. É uma benção. É um ponto de encontro das crianças. Aqui é bem seguro, tranquilo. Às vezes eu estou cansada, está chovendo, e ele (o neto) diz: ‘não, vó. Eu quero ir’”, revela, com o sorriso no rosto de quem vê satisfação e resultado nas aulas.