Uma senhora negra, de feições simpáticas e que esbanja simpatia. A senhora Maria José Simão Cruz, conhecida como dona Zezé, é a “porta-voz” do Lar de Amparo Vovó Walquiria. Aos 67 anos – sendo 15 desses dentro da unidade, ela canta uma música especial para receber a equipe do Diário do Litoral.
Dona Zezé viu o nascimento e crescimento da associação. É remanescente da casa da senhora Walquiria, ainda no Sá Catarina de Moraes e tem grande apego pelo Lar, que virou a sua verdadeira família.

“Melhor não podia ser. Se melhorar mais estraga. Não me vejo fora daqui. Aqui é minha família. Meus irmãos já vieram me buscar para passar o Natal, mas eu não fui. Eu não consigo passar em canto nenhum a não ser aqui”.
Mas nem tudo é sorriso para Zezé. Um pouco depois de falar sobre a casa, ela aproveitou para fazer um apelo.
“Nós precisamos de doação de fralda, leite, frutas, mercadorias como arroz e feijão, mistura. A Iva tem que fazer uma reforma aqui para casa não fechar, mas não tem como fazer essa reforma porque o dinheiro é muito pouco. Eu peço, para quem estiver lendo, que possa colaborar com qualquer coisa para que não feche essa casa. Ela não pode fechar. Espero que as pessoas se sensibilizem e possam ajudar, seja com ferro, com material de construção, porque não temos nada. A autoridade está exigindo quarto separados para gente, com quatro idosos, sem pavilhão de homem e de mulher. Mas para fazer isso precisa de verba. Por isso faço esse apelo. Para quem puder ajudar, que possa ajudar. Amém e que Deus abençoe”.
A história de dona Zezé é semelhante a de muitos idosos que estão em casas de repouso. ”Eu tive problemas de saúde, fiquei sozinha, meu esposo faleceu, não tenho filhos. Tinha um irmão que morava no Catarina, mas quando cheguei na casa dele, tive problema porque a família dele não me aceitou. Por isso, ele saiu procurando um lugar para me colocar e a Vovó Walquíria era praticamente do lado da casa dele. Então, acabei indo para lá”.
No Lar de Amparo Vovó Walquíria, Zezé encontrou tudo o que necessitava, não só fisicamente, mas emocionalmente. “Não tem o que dizer dos voluntários. Eles trabalharam, mas só recebem ajuda de custo. Se eles trabalham aqui, é por amor. A convivência é muito boa, tratam a gente muito bem, são muito carinhosos com a gente. Temos quatro refeições por dia, roupa lavada, remédio, atendimento médico. Quando tem alguma emergência, elas levam para o hospital e ficam lá com a gente”.
Por fim, dona Zezé recordou que ela mesmo já precisou de todo suporte, e encontrou na entidade o que não poderia ter com a família. “É muito gratificante. A gente aprende a amar. Dona Lindaura anda com a gente para cima e para baixo. Onde precisar levar, ela leva. Eles dão toda assistência. Tenho angina e tive princípio de infarto, dói muito. A Lindaura me levou, fiquei três dias internada e ela ficou lá os três dias me dando atenção. Falavam com meu irmão, mas ele não ligou, não foi. Mas nós acreditamos em Deus que nós vamos conseguir. Somos uma família”.