“A gente não precisa de muito para fazer o outro sorrir”

Idalina Xavier trabalha há mais de 30 anos com o voluntariado. Objetivo: olhar para a necessidade do próximo

Dezembro. Época propícia para doação, para solidariedade, para o voluntariado. O Natal é uma porta para quem consegue enxergar o próximo. Quando se trata de criança, a visão fica ainda mais ampla. É a época que Idalina Xavier mais trabalha, dá para perceber pela voz rouca. “É de tanto gritar e brincar com as crianças”, justifica ela mesmo sem precisar.

A felicidade e o carinho com que ela trata cada uma faz a gente destacar a Doutora Alegria Risadinha na hora que olhamos para o grupo. Idalina respira o voluntariado e mostra que nasceu para isso.

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A famosa doutora, fundadora a Associação Alegria, Solidariedade e Cidadania (A.A.S. Cidadania), trabalha nisso há mais de 30 anos. Ela sabe o que é se doar e levou e vai deixar isso de herança para a família. “Meus filhos e minhas netas trabalham comigo. Meu marido, já falecido, começou essa associação junto comigo. O voluntariado vem de família”, orgulha-se.

As lições de ser voluntário vão além das maquiagens e das roupas de palhaços. Por isso, a associação promove o curso de formação de voluntários todo ano. Na última formatura, 30 novos doutores se juntaram ao grupo. Todos estes voluntários se dividem em trabalhos como visitas às alas infantis dos hospitais, visitas às comunidades carentes da Região, visitas às entidades assistencialistas e distribuição de sacolinhas (com roupa, sapato e brinquedo) para as crianças durante datas comemorativas.

“Ao invés de esperar que o Estado resolva questões que afligem a população, a A.A.S. Cidadania agrega profissionais e estagiários de diversas áreas. Esses voluntários acreditam que ações espontâneas para atingir fins específicos costumam ser eficientes, por não visarem lucro ou poder, e que experiências mostram que investir no capital humano é o melhor caminho para reverter à violência urbana, a evasão escolar, a falta de noção de cidadania, o desemprego”, explica Idalina.



Por isso que as visitas aos hospitais não eram suficientes, talvez por conhecer esta realidade por conta de sua profissão: conselheira tutelar. “Desde que o poder público e comunidade trabalhem em conjunto para reduzir a miséria, combater as drogas, tirar os pobres da rua é possível controlar esse estado de coisas, justamente porque educar para a cidadania é construir uma sociedade mais harmoniosa para a família, o trabalho e a produção econômica”, comenta.

Necessidades

Para realizar o trabalho, a associação precisa de doações simples e baratas. “A gente não precisa de muito para viver e nem para fazer o outro sorrir. O que precisamos são coisas simples como maquiagem, jalecos e doações para nossas sacolinhas”, explica Idalina.

No entanto, o maior problema para o grupo é o transporte. Agora em dezembro, por exemplo, foram muitos eventos em locais distintos, muitas vezes no mesmo dia. O transporte também é feito de forma voluntária: um doutor empresta o carro e todos ‘racham’ a gasolina. “O ideal seria um transporte próprio, mas não conseguimos dinheiro para isso”, explica a conselheira tutelar, que aplica boa parte do seu salário em materiais para a associação. “Tudo é feito de forma voluntária e cada doutor arca com suas despesas (roupas e maquiagens). É assim que vamos levando”, conta.



As sacolinhas também dependem totalmente da boa vontade e da solidariedade da população. Todo ano, as crianças cadastradas no grupo pelos próprios voluntários recebem uma sacolinha com roupa, sapato e brinquedo.