A erradicação do trabalho infantil ainda é um dos maiores desafios do Brasil. Apesar da tímida redução nos números, o assunto preocupa os governos. Crianças e adolescentes em idade escolar buscam nas ruas, em especial nos semáforos, a oportunidade de ganhar dinheiro. Com experiência na abordagem deste público, a Procuru tem desenvolvido ações em conjunto com a Secretaria de Assistência Social de São Vicente no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Os resultados do trabalho já começam a aparecer.
“A equipe do Creas (Centro de Referência Especial em Assistência Social) tem mapeado os locais. Nós os acompanhamos. O nosso trabalho consiste em fazer o resgate de identidade. Identificar nas crianças e adolescentes que estão nos semáforos o talento de cada um”, ressaltou o assistente social Leandro Valença, presidente da Procuru.

O diálogo é a principal ferramenta dos agentes multiplicadores da Procuru. Orientar que existe outro caminho para o futuro está no bate-papo que eles mantêm com as crianças e adolescentes que encontram pelos semáforos da Cidade. Por meio da abordagem, eles já identificaram talentos da música e da poesia.
“Eles são encaminhados para o Creas, que faz o acompanhamento e trabalha o potencial identificado. Através do nosso trabalho mostramos que por meio da cultura também é possível ter um futuro melhor. Os resultados têm sido bons. Tem adolescente que não voltou mais para o semáforo após a nossa intervenção”, disse Valença.
Na comunidade do México 70, que já foi a maior favela em palafitas do País, e tem alto indíce de violência contra crianças e adolescentes, está grande parte daqueles que procuram os semáforos para obter renda, seja com alguns limões na mãos ou vendendo doces. “É muito gratificante quando a gente consegue fazer com que um deles não volte mais para a rua. Acabamos tendo essas crianças como da nossa própria família. Muitos não contam com boa estrutura familiar”, destacou o assistente social.
O trabalho da Procuru, em São Vicente, se concentra no Núcleo de Atividades Esportivas e Sociais (Naces), que fica no Parque das Bandeiras, na Área Continental.
Arte e esporte se misturam na Procuru
Do hip hop vem o fomento a cultura. Do futebol a inspiração para transformar vidas por meio do esporte. Recentemente, a Procuru foi contemplada pelo Governo do Estado pela Lei Paulista de Incentivo ao Esporte. O certificado recebido em junho oferece à entidade a oportunidade de captar R$ 339.670,60 para a realização do projeto Sementes do Talento. A iniciativa visa atender 400 crianças e adolescentes das comunidades do Dique da Vila Gilda e Morro do Tetéu, em Santos, e do Parque das Bandeiras, em São Vicente.
“A ideia é fortalecer o projeto social por meio do futebol. O projeto prevê o trabalho com professores de educação física e a oferta de uniformes. Estamos na fase de captação de recursos”, afirmou Leandro Valença, presidente da Procuru. As empresas que apoiarem o projeto terão como contrapartida a redução de até 3% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Uma emenda parlamentar do deputado federal Carlos Zarattini (PT) no valor de R$ 100 mil também ajudará a entidade a iniciar quatro oficinas culturais no Dique da Vila Gilda e no Morro do Tetéu. As atividades terão início em novembro.
“Serão oficinas de DJ, fotografia, desenho e aulas de zumba. A previsão é de entre os meses de setembro e outubro tenham início as inscrições”, disse Valença.