Hoje, praticamente toda empresa precisa de tecnologia. Seja micro ou multinacional, em algum momento precisarão do serviço de um profissional de TI (Tecnologia da Informação). Algumas montam departamentos internos, outras contratam consultorias para suprir as necessidades. São milhares de empresas espalhadas pelo país e um mercado muito vasto a ser explorado.
Mas aos profissionais da área, o território está limitado aos grandes centros, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, impossibilitando que pessoas de outros lugares tenham as mesmas oportunidades. Ao analisar este cenário e trabalhando com tecnologia há 23 anos, Paulo Miyashiro, 35 anos, decidiu apostar num novo modelo de negócio e montou sua própria empresa no início de 2014, a Dynaworks Enterprise Technologies.
“O que me levou a criar a startup foi a vontade de fazer uma coisa diferente. Vejo que existe muito desperdício no mercado: muitas oportunidades e poucos profissionais. Meu foco é espalhar a demanda de trabalho. Temos excelentes especialistas em diversos locais do Brasil, mas por melhor que eles sejam, só terão boas oportunidades nos grandes centros, que é onde está o trabalho. A grande divergência de salários também não é justa.”, explica.
Para reunir profissionais em tecnologia de diversas áreas, a Dynaworks criou uma plataforma online, na qual constam profissionais disponíveis para realizar trabalhos em sua áreas específicas. Diariamente, cerca de 50 profissionais se cadastram na plataforma.
“Nosso trabalho é uma consultoria em Cloud (Nuvem), realizada de forma remota. Seja administrar um servidor, desenvolver um sistema e até fazer manutenção. Cada profissional trabalha de onde quiser. O nosso escritório é a plataforma”, esclarece Miyashiro.
Comunicação com o cliente e diminuição de custos
Embora todo o trabalho seja realizado remotamente por profissionais espalhados pelo país, a comunicação com o cliente é um dos pontos fortes do modelo de negócio da Dynaworks.
Segundo o seu idealizador, o fato de não ser uma empresa física, em que o gerente de projeto acompanha os profissionais para relatar ao cliente o trabalho que já foi feito, a forma de demonstrar avanços ocorre pela plataforma. “O cliente sabe que o desenvolvedor fez uma alteração num código em tal horário, quantas horas o profissional trabalhou e quanto falta para o serviço terminar. É o sistema que entrega para o cliente o que os especialistas estão fazendo”, diz.
Por não haver despesas comuns de escritório e profissionais para supervisionar os serviços, o custo dos trabalhos também diminui consideravelmente. “Nós temos um papel de gerente, porém ele consegue atuar em mais projetos do que um gerente convencional, pois todas as atividades repetitivas de gestão foram automatizadas na plataforma. Com isso, o valor de produção pode cair até 50%”, detalha Paulo.
Profissionais e treinamento
No modelo criado pela Dynaworks, os profissionais não trabalham em regime convencional. Eles disponibilizam horas dentro da plataforma. Para o criador da Dynaworks, isso ajuda a alavancar os negócios e dar mais possibilidades de trabalho, porque profissionais de TI são escassos.
“É muito difícil tirar um especialista de uma empresa para que ele trabalhe num determinado projeto. Com esse modelo dinâmico, alguém que trabalhe em horário comercial numa empresa física pode trabalhar em horários alternativos, como à noite e aos sábados de forma remota. Existem também aqueles que já deixaram o modelo convencional e hoje trabalham de forma integral na plataforma”, comenta.
Na maioria das vezes, é a Dynaworks que vai em busca dos profissionais. Para encontrar especialistas, a empresa atua em parceria com uma especialista de Recursos de Humanos, que também trabalha fora do país, fazendo recrutamento e seleção da Suíça. Interessados em atuar na plataforma, sendo de qualquer parte do Brasil, podem se cadastrar pelo site: www.workshift.me
Antes de iniciar qualquer projeto, todos os profissionais são capacitados, com avaliações e certificados na tecnologia em que se candidatou, feito pela própria plataforma. Os treinamentos servem para equalizar os conhecimentos profissionais e alcançar a excelência, em temas que podem envolver assuntos técnicos, gestão, comunicação e liderança.
A escolha do profissional para determinado projeto é definido individualmente, com preferência pelo tempo de trabalho na plataforma, capacidade de entrega, comunicação, entre outros fatores.
O modelo de trabalho é no formato de PJ com emissão de nota fiscal. A porcentagem é de lucro está na média das outras empresas de TI, que é de 50%.
Como funciona para o cliente
O cliente acessa um formulário de cadastro e preenche com nome, empresa, qual tipo de projeto, prazo de entrega etc. A partir daí, as informações são distribuídas internamente para o especialista, que fará uma estimativa de custo inicial. O cliente dirá se aprovará ou não também pela plataforma. Como o valor é cobrado por hora, quanto antes o projeto for entregue, mais barato será o custo final do projeto.
Trabalho Home Office
O trabalho remoto, ou home office, tem uma série de característias diferentes que precisam ser trabalhadas. Para Paulo Miyashiro, muitas empresas enxergam essa forma de trabalho ainda com olhos do modelo tradicional e, por isso, não funciona.
“Muito se fala dessa nova tendência de mercado, pois todos sabem do benefício que é trabalhar de casa, como: motivação, qualidade de vida, contribuição para diminuir o trânsito, entre outros. Mas ninguém fala em como implantar um processo eficaz. E é justamente nisso em que desejamos atuar: espalhar oportunidades, diminuir custos e entregar serviços de excelente qualidade”, finaliza.