O sonho de Laila se tornou o sonho de toda a família. Do pai, Leonardo Júnior, aos irmãos, Luan e Levi. Mas a protagonista desta história tem uma heroína para chamar de anjo: a mãe Luciene Silva. E é ela quem conta o que é ser mãe da Laila e toda a sua luta, da gestação até os dias de hoje, passando por uma pré-eclâmpsia na primeira gravidez e pelo nascimento de mais dois filhos.
“Meu sonho sempre foi ser mãe. Nunca pensei que fosse ter um bebê antes dos nove meses, mas aconteceu devido à pré-eclâmpsia que tive na primeira gravidez, com apenas 23 anos de idade. O nascimento da minha filha Laila foi a realização de um sonho. Ouvir o chorinho dela foi maravilhoso e eu nunca vou esquecer aquele som. Mas quando eu tive alta do hospital, três dias depois, me disseram que ela não iria comigo e aquele foi o pior momento da minha vida.

Eu não tinha noção da gravidade do quadro clínico dela: era um bebê prematuro extremo pesando menos de um quilo (porque teve perda depois do nascimento) e não tinha como respirar sozinha ainda. Mas, mesmo assim, meu coração de mãe repleto de amor só queria levar meu bebê para casa.
Confiei a vida da minha pequena à Deus. Todos os dias, o pai dela e eu íamos visitá-la e as notícias nem sempre eram animadoras, sempre havia o risco de vida. Mas quando voltávamos para casa sentíamos que algo maior a protegia. Mesmo ouvindo dos médicos que ela poderia não sobreviver a tudo aquilo, algo nos dizia que ela sobreviveria.
Meses depois, recebemos uma ligação do hospital dizendo que a nossa pequena recebeu alta. Foi uma alegria imensa ter a Laila em casa, mas os cuidados eram especiais: ela ainda era frágil, pesava 1,655 kg e tinha 42 centímetros.
Com o passar dos meses percebemos que ela não era um bebê normal do ponto de vista físico, a nossa bebê não rolava, não sentava, não engatinhava… Somente aos 10 meses de idade ela foi diagnosticada por uma neuro-pediatra. Foi muito difícil aceitar que nossa pequena tinha paralisia cerebral. Então, com um aninho, ela começou fazer terapias e sua vida tem sido assim desde então. Hoje com 11 anos, ela já teve muitas conquistas e somos eternamente gratos por ter ela em nossas vidas. Nossa pequena é um exemplo de força de vontade e superação. Ela nunca nos mostrou desânimo, sempre teve vontade de seguir em frente mesmo não andando.
Em abril de 2008, ela tinha três anos e nove meses e nasceu o seu primeiro irmãozinho, o Luan. Lembro que eu tinha medo de quando ele começasse a andar. Ela poderia ficar triste, sentir vontade ou algo assim, mas ela deu um jeito de se realizar através das coisas que ele fazia.
Quando ela estava com cinco anos, estava começando a ficar de pé se apoiando no sofá. Foi quando o Luan com 11 meses (ele já andava) largou os brinquedos e foi dar apoio com as duas mãozinhas nas costas dela para ela levantar. Foi emocionante! Ninguém ensinou isso a ele, foi natural. E hoje ver eles juntos me faz muito feliz. Quando ela tinha sete anos nasceu o segundo irmão, o Levi.
Hoje, o que posso dizer é que tenho filhos incríveis que me dão forças todos os dias para levantar e seguir em frente com meu dom de ser mãe”.