“Pensar é gerar mil mundos e escrever é dar vida e esses mundos”. A frase que contextualiza de forma plena a relação entre palavras e transformação está registrada na contracapa do livro artesanal ‘Clube da Escrita – O Semeador de Palavras’. A obra é fruto de uma oficina de texto ministrada pela professora Renata de Moura e seu marido, Luiz Antonio de Carvalho, aos alunos do 5º ano da escola Angelus Domus, em Santos.
O projeto surgiu por iniciativa de dois estudantes: Igor de Moura e Yohann Géa. “Pedi uma redação e eles entregaram textos muito bons. Elogiei as montagens e então os dois sugeriram uma aula extra, voltada apenas para o aperfeiçoamento da escrita”, relatou a professora Renata. “Os outros alunos também aprovaram a ideia e começamos com as oficinas todas as segundas, após o horário escolar”, acrescentou Luiz Antonio, metalúrgico aposentado que apoiou a iniciativa da esposa.
Foi assim que surgiu o Clube da Escrita ‘O Semeador de Palavras’, projeto que hoje conta com a participação de 13 alunos. As poesias desenvolvidas ao longo do ano foram compiladas em um livro artesanal, lançado na noite de ontem na escola, após uma apresentação teatral apresentada pelos próprios autores.
“Os alunos trouxeram esse projeto e o desenvolvimento deles a partir da escrita é visível”, revelou a coordenadora pedagógica da unidade, Mara Leça. “É fundamental valorizar a escrita em um momento altamente virtual. O livro está aí para provar que algo a mais pode acontecer e que há um mundo novo que vai além da tecnologia”, destacou.
Noite de autógrafos
No palco, as crianças interpretaram diferentes personagens da literatura infantil. Na vida real, após a participação no projeto, eles entenderam que as palavras e o conhecimento podem lhes dar autonomia para se transformarem em quem desejam ser.
“Meu avô escreve poesias e eu cresci apaixonada pela palavra escrita. Quando soube da oficina quis logo entrar, porque também quero passar a mensagem sobre o que penso para o mundo”, revelou Catarina Amaral, de 11 anos de idade.
Já para Maria Vitória do Nascimento, de 10 anos, escrever é uma forma de expressar o que sente. “Tudo o que sinto e penso eu transformo em palavras e guardo em uma pasta”.
Júlia Correia, de 11 anos, quer ser escritora, pois tem paixão pelas palavras. “Todos os dias penso coisas diferentes por causa do que escrevo. Colocar palavras no papel me faz refletir e crescer. Espero que seja assim para sempre”, finalizou.