Pouco mais de 2km separam o México 70 do Centro de Capacitação CESIN/CECAP, situado na Avenida Antônio Emmerick, em São Vicente. A distância, embora pequena geograficamente, simboliza, para a doméstica Cleide Aparecida Gonçalves dos Santos, mais um passo no longo caminho em busca do sonho da casa própria. Na manhã de ontem, Cleide foi uma das 1021 pessoas que enfrentaram a fila de dois quarteirões para atualizar o cadastro no Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal e poder concorrer a uma das 300 moradias que serão sorteadas no conjunto habitacional Tancredo Neves III.
Conforme publicado pelo jornal Diário do Litoral no último dia 19, 27.115 famílias vicentinas vivem em situação de inadequação habitacional, em 38 assentamentos urbanos na Cidade. O número de pessoas que estão em busca da casa própria é ainda maior: até o último dia 15, mais de 45 mil pessoas se inscreveram para os sorteios de moradias em conjuntos habitacionais na Cidade.
Cleide chegou no CESIN/CECAP pouco depois das 8h da manhã. Recebeu a senha de número 63 e até às 12h ainda não havia sido atendida. Aos 52 anos ela é a chefe de família e sustenta, com seu salário, os três filhos. “Sou a única que trabalha lá em casa e mesmo assim não é uma renda fixa. Hoje consigo receber em média R$ 800,00 por mês, mas pago R$ 550,00 de aluguel e R$ 140,00 de água e luz. É muito puxado”, desabafa.
Com a voz falhando, resquícios de uma gripe forte que a impossibilitou de trabalhar na última semana, ela lembrou da data exata em que se inscreveu no programa: 29/09/2009. Com o pensamento positivo, sonha em passar o aniversário, comemorado em julho, com a chave da futura moradia em mãos. “É muito mais do que ter uma casa própria. Ser sorteada é a certeza de que, se algo de ruim acontecer comigo, ao menos meus filhos terão um lugar no mundo”.
Telma Barbosa está inscrita no programa desde 2012. Nesses quatro anos de inscrição muita coisa aconteceu: os filhos cresceram e chegaram os netos. O que não mudou foi a situação financeira e a dificuldade para manter a casa, hoje com sete moradores. Com o desemprego recente do marido, a família possui apenas a renda do filho, que precisa arcar com o aluguel de R$500,00 de uma casa no Catiapoã, além de todas as outras contas.
Situação semelhante é enfrentada pela artesão Renata da Costa Santos. Quando se inscreveu no Programa, ela fazia parte do grupo que ocupava de forma clandestina o conjunto habitacional Primavera Penedo, no Jóquei Clube. Em 2013 um mandado de reintegração de posse a colocou, junto com a família, na rua. Hoje ela mora de favor na casa de uma conhecida e deposita todas as suas esperanças no sorteio. “Como tenho problema na coluna não encontro emprego formal. Meu marido também não consegue uma colocação. A vida está complicada, mas ainda não perdi a esperança. Enfrento a fila que for, até onde eu conseguir, para garantir um futuro digno para minha família”, afirmou.
A atualização no cadastro é obrigatória para todas as pessoas que se inscreveram no Minha Casa, Minha Vida. De acordo com Jackson Nunes, responsável pelo programa em São Vicente, todos os inscritos deverão comparecer até o dia 29/02 munidos dos documentos pessoais em dois endereços: na avenida Antônio Emmerick, 91 ou na avenida das Nações Unidas, 1750. Idosos, gestantes e pessoas com necessidades especiais devem fazer a atualização na sede da Secretaria de Habitação (Sehab), na rua José Bonifácio, 404, no Centro de São Vicente.