Campanha auxilia famílias que lidam com a microcefalia

Projeto arrecada doações e visa a criação de uma rede de apoio para famílias que convivem com a má-formação

A chegada de uma criança provoca uma transformação, não apenas para os pais, mas para toda a rede de pessoas que estão ao redor dela. Quando essa criança possui necessidades especiais, a realidade se transforma de maneira ainda mais contundente e as obrigações são maiores em todos os aspectos. Esse é o caso, por exemplo, das famílias de crianças que nasceram com microcefalia na Baixada Santista nos últimos meses.

Em tempos de muita suposição e medo, quatro mães santistas decidiram se unir para provar que, independentemente do tamanho do perímetro cefálico dessas crianças, o amor pode e deve ter uma medida muito maior e mais abrangente. Juntas, elas criaram a campanha ‘Seu amor é macro’, que tem como objetivo arrecadar doações e criar uma rede de apoio para famílias que convivem com a ­má-formação.

Foi por meio das redes sociais que Cauana Donat, Erika Domingues, Mayara Perez e Thais Oliveira se reuniram para arrecadar doações de leite, produtos de higiene, roupas, brinquedos e alimentos não perecíveis que possam auxiliar essas famílias. 

“O projeto surgiu a partir de uma campanha nacional via Facebook, que identifica as famílias que precisam de apoio e fornece dados como endereço e conta corrente para ajuda. “Nós nos reunimos e pensamos em regionalizar essa proposta sob uma nova ótica, de forma com que essas mães não sejam expostas e também recebam apoio”, destaca ­Cauana. 

Hoje o projeto atende cinco famílias de crianças entre três e sete meses de idade. Dessas, duas são de Santos e três de São Vicente. Todas as mães tiveram sintomas de dengue ou zika durante a gestação, algumas ainda sem confirmação.

Rede de apoio

Mais do que a arrecadação de itens, a campanha tem como objetivo a criação de uma rede de apoio para auxiliar as mães – muitas delas de primeira viagem – que estão fragilizadas no momento em que mais precisam de força.

“É muito aterrorizante você estar grávida e projetar na sua cabeça que terá um filho e que ele vai se desenvolver, crescer e realizar os sonhos dele e os seus como mãe e por uma questão de falta de cooperação social – uma vez que o Aedes aegypti é um problema de todos nós – isso será mais difícil”, afirma Cauana. 

Dessa forma, as mães buscam também o auxílio de profissionais de saúde que queiram colaborar com informações capazes de melhorar a qualidade de vida das crianças. “Hoje precisamos muito da ajuda de psicólogos, por exemplo, pois muitas dessas famílias não estão recebendo nenhum tipo de atendimento”, destaca Mayara.

O apoio pessoal também é de suma importância para o projeto. “Um dos objetivos principais é acolher. As mães estão assustadas, sofrendo preconceito e ouvindo coisas negativas sobre seus filhos. Queremos trabalhar a cabeça dessas mães e incluir socialmente essas crianças”, afirma Thais.

Para ela, a melhor gratificação de se doar pelo projeto é o alívio das famílias que são acolhidas. “É recompensador poder saber que uma criança que não tinha uma lata de leite em um dia, no outro tem quatro ou cinco. Não estamos ali porque há um bebê com microcefalia. O amor é macro porque ele abraça uma mãe, uma família e um bebê que precisam de apoio”, finaliza.