No primeiro posicionamento público desde a deflagração da Operação Martim Afonso, que investiga irregularidades no transporte alternativo de São Vicente, o prefeito Luis Cláudio Bili (PP) afirmou inocência e pregou maior rigor no controle das catracas das lotações que circulam pela Cidade.
Bili também disse acreditar na inocência do secretário de Assuntos Jurídicos do Município, Sinval Braz de Moraes, preso desde o início das investigações. O prefeito também criticou o projeto de lei de autoria do vereador Pedro Gouvêa (PMDB), que será votado hoje e permite a continuidade do sistema nos moldes em que foi concebido.
Citado em uma interceptação durante as investigações da Operação Martim Afonso, uma ação cautelar perante o Tribunal de Justiça de São Paulo foi instaurada para investigar a participação do prefeito Luis Cláudio Bili no esquema. A ação cautelar e o inquérito tramitam em segredo de Justiça.
Acompanhado da advogada Ivete Maria Ribeiro, Bili atendeu a imprensa na tarde de ontem em seu gabinete. Ele afirmou que foi citado de forma indevida e que a partir de informações distorcidas seu nome foi acrescentado na operação. Bili destacou que está contribuindo com as investigações e que já colocou o sigilo telefônico, bancário e fiscal à disposição da Justiça.
“Os policiais estiveram na minha casa na última segunda-feira e permaneceram completamente à vontade por três horas durante as buscas. Ninguém encontrou e nem vai encontrar absolutamente nada. Se tivesse algo absurdo, algo ilícito, vocês acham que eu estaria onde agora?”, destacou o chefe do Executivo.
Bili disse também que o principal objetivo do seu governo é acabar com qualquer máfia que possa existir e que envolva a Administração Municipal. “Não sei se existe uma máfia. Não recebi, não recebo e em 24 anos de vida pública é evidente que essa não é a minha índole. O transporte alternativo na Cidade foi criado há 19 anos e se o crime está envolvido, meu nome está sendo usado indevidamente. Nunca recebi nenhuma forma de propina e ninguém vai conseguir provar absolutamente nada contra mim”, destacou.
Questionado sobre a prisão do secretário de Assuntos Jurídicos de São Vicente, Bili disse acreditar na inocência de Sinval Braz de Moraes. “Espero que meu secretário seja inocente e que todos tenham a oportunidade de se defender. Acredito na inocência dele, mas se o inquérito incriminá-lo, ele terá que pagar por isso”, declarou.
Melhorias no transporte
O prefeito destacou, em sua fala, que desde o início de sua gestão está empenhado em fazer mudanças no transporte coletivo da Cidade. “Após essa operação, eu pretendo, inclusive, convidar o Ministério Público para nos ajudar. Hoje o microempresário assume o compromisso com a Prefeitura de fornecer uma declaração de quanto ele recebeu e pagar uma quantia determinada daquele percentual de arrecadação. Sem as catracas travadas e controladas, como podemos ter esse controle?”, destacou.
Para o prefeito, a necessidade de mudanças estruturais nas vans que operam hoje na Cidade – permitindo acessibilidade e a implantação de catracas – é a principal mudança que estabelece a edição do decreto municipal com novas regras para o transporte coletivo.
“A Câmara votará uma lei equivocada, que veda a questão da acessibilidade pelo menos até dezembro. Não estou defendendo empresa alguma. Tendo duas portas e acessibilidade, todas têm direito à concorrência. Nenhum microempresário é obrigado a comprar da empresa A ou B. Se existe um lobby comercial envolvendo meu nome, isso é lamentável. É exatamente o contrário do que nós estamos querendo fazer”, finalizou.
A Polícia Civil, conforme apurou o DL, entregou ontem o relatório da investigação à Justiça e requereu a prisão preventiva de 14 das 17 pessoas investigadas que cumprem prisão temporária.
