Éder Jofre ganha festa surpresa de 80 anos

Famoso pelo estilo técnico com forte pegada, seu cartel soma 81 lutas, sendo 75 vitórias, 52 por nocaute, quatro empates e duas derrotas contestadas contra o japonês Harada

O 80º aniversário de Éder Jofre foi comemorado na noite desse sábado, nos salões do Hotel Mendes Plaza, em Santos, e marcou o Dia Nacional do Boxe, uma data instituída no calendário esportivo brasileiro exatamente para celebrar o maior peso galo de todos os tempos, bicampeão mundial pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB).

A festa surpresa foi organizada pelo empresário Pepe Altstut, presidente da Memorial Necrópole Ecumênica, e reuniu familiares de Éder, amigos, e lendas do boxe, como Miguel de Oliveira, campeão mundial médio-ligeiro pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB); Valdemir dos Santos Pereira “Sertão”, campeão mundial pena pela Federação Mundial de Boxe (FMB); Servílio de Oliveira, bronze na Olimpíada do México 1968, peso mosca, o primeiro e único brasileiro a conquistar uma medalha olímpica no boxe até 2012; e o pugilista em ascensão, que busca o título mundial, Yamaguchi Falcão, bronze na Olimpíada de Londres 2012 e detentor do cinturão latino do Conselho Mundial de Boxe (CMB), peso médio.

No telão, o tetracampeão mundial Acelino “Popó” Freitas – três vezes pela Organização Mundial de Boxe (OMB) e uma pela Associação Mundial de Boxe (AMB), nas categorias super-pena e leve – pediu desculpas pela ausência e manifestou sua grande consideração pelo ídolo, o que motivou a criar a lei que consagrou a data de seu nascimento como o Dia Nacional do Boxe.

“Compartilho minha emoção com minha família e com cada um de vocês”, afirmou Jofre, com os olhos mareados: “Tive uma carreira profissional com muitas vitórias e isso foi resultado de muita luta, dentro e fora dos ringues. Não desista nunca. É a minha mensagem aos atletas que buscam tornar-se um dia campeão mundial”, aconselhou o Galinho de Ouro.

80 Anos de sucesso

Éder Jofre, o “Galinho de Ouro”, foi bicampeão mundial em duas categorias, galo e pena. Famoso pelo estilo técnico com forte pegada, seu cartel soma 81 lutas, sendo 75 vitórias, 52 por nocaute, quatro empates e duas derrotas contestadas contra o japonês Harada.

Filho do pugilista argentino José Aristides Jofre, conhecido como “Kid Jofre” (1907-1974), Éder iniciou sua carreira em 1953, lutando como amador pelo São Paulo Futebol Clube e disputando os Jogos Olímpicos de Melbourne, em 1956.

Estreou como profissional em 1957 e no ano seguinte sagrou-se campeão brasileiro peso galo. Em 1960 conquistou o título sul-americano contra o argentino Ernesto Miranda. No mesmo ano mudou-se para os Estados Unidos e tornou-se campeão mundial pela National Boxing Association (NBA), vencendo o mexicano Eloy Sanchez por nocaute.

Em 1961 unificou os títulos da categoria galo ao vencer o irlandês Jhonny Caldwell, campeão da versão Europeia, conseguindo manter o título mundial até 1965, ganhando todas as lutas por nocaute.

Em 1965, em resultado contestado, foi derrotado pelo japonês “Fighting” Harada. Em 1966, na revanche, outra derrota de Éder, de novo em resultado controverso.

Em 1970 Éder voltou aos ringues, lutando no peso pena. Foram 25 vitórias, sendo uma delas sobre o cubano José Legra, em 1973, que lhe valeu o título mundial do Conselho Mundial de Boxe (CMB) em uma categoria superior a que ele começou, tornando-se bicampeão mundial. Aposentou-se do boxe profissional em 1976.

É considerado por especialistas internacionais como o maior peso galo do boxe de todos os tempos, tendo ficado conhecido pelo apelido de “Galinho de Ouro”, dado pelo escritor Benedito Ruy Barbosa.