Vazamento no Terminal da Transpetro assusta moradores

Esse é o quinto incidente ocorrido na Baixada Santista em 17 meses; moradores de Santos, São Vicente e Cubatão sentiram forte odor

Uma nova ocorrência, envolvendo o Terminal da Transpetro na Alemoa, em Santos, assustou os moradores na noite de ontem. De acordo com a empresa, houve um pequeno vazamento de gás Metil Mercaptano (odorizante utilizado para dar cheiro ao GLP, que é inodoro) durante operação em uma das linhas do terminal. A Transpetro garante que o incidente não causou riscos para a comunidade.

Apesar do vazamento ter sido considerado pequeno pela empresa, o forte odor semelhante ao do gás de cozinha foi sentido por moradores de Santos, São Vicente e Cubatão.

De acordo com o técnico de iluminação Alessandro Cruz, que estava em um ônibus fretado vindo de São Paulo às 22h, o cheiro forte incomodou os passageiros, mesmo com todas as janelas fechadas no veículo.

“Quando o ônibus parou na entrada da cidade o cheiro forte tomou conta do espaço. Muitas pessoas começaram a tossir. Li que a orientação era fechar portas e janelas, mas estávamos assim e sentimos os incômodos. É uma vergonha tantos acidentes em tão curto espaço de tempo. Isso aqui está parecendo Chernobyl”, disse Alessandro.

De acordo com a Prefeitura de Santos, a Defesa Civil foi acionada para apurar o cheiro de gás na cidade e constatou tratar-se de um serviço de manutenção da empresa Transpetro, situação que foi rapidamente controlada, sem a necessidade de intervenções.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) atendeu a ocorrência e disse que o problema na tubulação foi resolvido ainda na noite de ontem e que não há mais registro de odores na região.

Baixada Santista registra cinco acidentes em 17 meses

Em dezessete meses, esse foi o quinto acidente registrado em indústrias da Baixada Santista. Os impactos das ocorrências anteriores prejudicaram os moradores da região e também causaram danos significativos para o meio ambiente.

Parte do Polo Industrial de Cubatão precisou ser evacuado após o vazamento de dióxido de enxofre (SO2) da fábrica de fertilizantes Anglo American Fosfatos Brasil, em janeiro de 2015. O vazamento propiciou a formação de uma chuva ácida que causou danos na vegetação da área atingida. A empresa foi multada em R$ 212.500,00.

Em abril do ano passado um incêndio atingiu seis tanques de combustíveis da empresa Ultracargo, em Santos. A empresa foi multada por lançar efluentes líquidos no estuário de Santos, em manguezais e na lagoa contígua ao terminal, e emitir efluentes gasosos na atmosfera, além de provocar a mortandade de milhares de peixes.  A Ultracargo pagou R$16 milhões para a Cetesb.

Em janeiro de 2016 a Localfrio S.A. Armazéns Gerais Frigoríficos foi multada no valor de R$10 milhões por emitir poluentes (gases tóxicos) na atmosfera, em decorrência de um incêndio em contêineres com produtos químicos no Guarujá. Os poluentes atingiram áreas residenciais, comerciais, industriais e portuárias nos municípios de Guarujá, Santos, São Vicente e Cubatão, tornando o ar impróprio, nocivo e ofensivo à saúde.

Em março, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aplicou uma multa de R$ 600 mil a Petrobras Transporte S/A – Transpetro pelo vazamento de petróleo no rio Cubatão, em Cubatão. O acidente provocou a paralisação da Estação de Tratamento de Água da Sabesp, que é responsável pela distribuição de água em pelo menos metade da Baixada Santista, além da emissão de substância odorífera na atmosfera, principalmente no bairro Jardim Costa e Silva, provocando incômodos ao bem estar público.