Movimento Audiovisual da Baixada Santista luta por políticas públicas e incentivos

Idealizado por entusiastas do audiovisual regional, o grupo se reúne periodicamente no Museu da Imagem e do Som

CinemaMêmo. Assim mesmo, grafado de forma descontraída, reproduzindo as características da fala caiçara. CinemaMêmo é o nome do Movimento Audiovisual da Baixada Santista, que reúne produtores e diretores, empenhados em lutar por políticas públicas para o segmento na região. Idealizado por entusiastas do audiovisual regional, o grupo se reúne periodicamente no Museu da Imagem e do Som (MISS).

E foi de dentro da mente de alguns cineastas apaixonados, embalados pela energia que somente uma sala de cinema proporciona, que surgiram ideias como a criação do I Encontro Audiovisual da Baixada Santista (realizado em março desse ano) e a proposta de fazer uma mostra de filmes dirigidos por mulheres contra o estereótipo de que o audiovisual ainda ‘é coisa para homem’.  

“A vontade de criar um movimento dos produtores de audiovisual é antiga. No entanto, há cerca de dois anos isso conseguiu ganhar um corpo maior, com a participação dos cineastas que estavam se formando e que sentiram a necessidade de pensar políticas públicas para o cinema, buscando interlocução junto com o Município, Estado e até mesmo a nível Federal se necessário for”, destaca o cineasta Eduardo Ferreira.

Santos é a única do Brasil que está entre as oito cidades criativas no mundo no segmento cinema da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A conquista do selo internacional é mais um fator que justifica a luta do ­CinemaMêmo.

“Queremos não apenas trazer produções para cá, como também pensar no cineasta que está aqui e muitas vezes não consegue produzir”, destacou Iasmin Alvarez.

Financiamento

De acordo com Eduardo, no panorama nacional o custo de produção de um curta gira em torno de R$ 70 a R$ 120 mil. Com a ausência de políticas públicas de incentivo, a dificuldade de financiamento é a principal para o audiovisual local.

“Estamos percebendo que o universitário se forma e não sabe como produzir. Tanto que é muito comum eles voltarem para faculdade pedindo apoio. Queremos unir forças para captação de recursos, através de leis de incentivo e editais. Pensar novas formas para fomentar o cinema na Baixada Santista”, destaca Ferreira.

Na visão do cineasta, as ações desenvolvidas pelo coletivo visam o fortalecimento do segmento na região. “As ações não são para nós e sim para todos. Não apenas para o grupo que está atuando. Até porque é algo rotativo, é movimento! Talvez amanhã nenhum de nós esteja à frente do CinemaMêmo. Até para que não se crie algo ditatorial. A ideia é que mais pessoas participem e passem a agregar”, finaliza.

Protagonismo feminino e luta pela igualdade em cena: a criação da Mostra das Minas

Um parto natural. Foi dessa forma que a cineasta Iasmin Alvarez definiu a criação da Mostra Livre de Cinema de Mulheres: a Mostra das Minas. Em sua segunda edição, a exibição debate o olhar feminino no cinema e questiona as questões de gênero e o machismo velado.

“A raiz surgiu quando o CinemaMêmo recebeu o convite da organização da Semana em Comemoração ao Centenário de Ivani Ribeiro (dramaturga de São Vicente) para participar de um dos dias do evento com alguma mostra. No período, estávamos na produção do 1º Encontro Audiovisual Caiçara, e decidimos debater a questão das mulheres no audiovisual da Baixada Santista”, pondera Iasmin.

A ideia cresceu e se transformou em um cine-debate mensal, que reúne produções dirigidas e co-dirigidas por mulheres de todo o País. “Para participar basta ser vista socialmente como mulher e enviar os curtas-metragens de até 30 minutos, destaca a ­cineasta.

Para além das telas do cinema, a proposta é estimular o protagonismo e o empoderamento feminino. “É notável que há machismo no cinema e que a maioria dos cargos técnicos são ocupados por homens. Queremos mudar esse cenário e mostrar que a mulher pode sim ser protagonista nessa orquestra da equipe”, finaliza.

Grupo cria o I Encontro Audiovisual Caiçara

Pensando nas necessidades, ações e caminhos para encontrar soluções para as dificuldades do audiovisual local que o CinemaMêmo lançou o I Econtro Audiovisual Caiçara, que aconteceu entre os dias 29 de março e 3 de abril.

O evento teve como objetivo explorar a identidade do audiovisual caiçara, buscando unir artistas a fim de fortalecer a produção local, sendo o elo entre produtores profissionais e em formação. Apenas curtas-metragens da Baixada Santista foram exibidos e após todas as sessões aconteceram rodas de conversas temáticas.

“Hoje vemos que muitas pessoas acabam produzindo apenas para o Curta Santos e queremos que essa ideia mude. No encontro trabalhamos de forma não competitiva, para mostrar o que está sendo criado na cidade”, destaca Larissa Melo.