O M.A.R. que ocupa as ruas de Itanhaém

Representantes de diferentes segmentos se uniram para lutar por políticas públicas e espalhar cultura pelos quatro cantos da cidade

No centro histórico e repleto de cor, cuja arquitetura nos remete às construções da época de fundação de Itanhaém, há um palco improvisado em forma de praça. Conhecida popularmente como ‘queijo’, em alusão ao seu formato circular, a praça Ernesto Zwarg está localizada no Beco de Sant’Anna (Ladeira).

Não há registros históricos que garantam que a praça foi projetada propositalmente para servir de palco. O fato é que montada assim ela já está. E há dois meses um grupo de artistas locais reivindicou o que é deles por direito: a possibilidade de ocupar a praça pública, levando música, artes, apresentações teatrais e danças.

Abreviado de M.A.R., o Movimento de Arte e Resistência se reúne periodicamente com um objetivo que vai além da ocupação da Praça Ernesto Zwarg. O maior desejo do M.A.R. é ocupar a cidade como um todo, por meio de apresentações e também por meio da luta por políticas públicas efetivas que garantam a sobrevivência da arte contra a barbárie do mundo atual.

“Onde a Cultura não é prioridade a violência se torna espetáculo. Levantamos essa bandeira na segunda edição do M.A.R na Rua. Queremos lutar por incentivos que garantam a sobrevivência do artista local e também contra a repressão policial que limita o artista criador em seu espaço de direito”, destaca Kely de Castro, bonequeira e atriz da Cia. Animalenda, residente há 3 anos em Itanhaém.

Ao lado do marido, o músico e ator Vinícius Camargo, Kely participa do movimento. O M.A.R. surgiu a partir do desejo do casal de reunir os artistas instalados na cidade. “Começamos com uma chamada por meio das redes sociais e para nossa surpresa, na primeira reunião apareceram quase 30 artistas dos mais diferentes segmentos. Notamos então que a insatisfação com os rumos culturais na cidade era geral e a partir do diálogo criamos um manifesto”, destaca Vinícius.

O primeiro ato do M.A.R. aconteceu no dia 22 de abril, dia do aniversário de Itanhaém. “Fomos para a praça e apresentamos diversos movimentos, principalmente para mostrar para a população que existem sim artistas em Itanhaém e que muitas vezes não há opções de cultura não por falta de vontade e sim por falta de políticas públicas, finaliza Kely.

Prefeitura diz que incentiva cultura local 

Questionada sobre as reivindicações dos integrantes do M.A.R., a Prefeitura de Itanhaém informou que vem incentivando a participação de artistas locais nos mais diversos eventos realizados no município. Desde 2013, na temporada de Verão, foram realizadas mais de 200 apresentações com artistas locais. Na tradicional Festa do Divino Espírito Santo houve mais de 30 apresentações com artistas locais. Em 2013, foi realizada uma Virada Cultural Municipal com 14 apresentações com artistas locais. No Arraial Cultural Solidário foram mais de 30 apresentações culturais com artistas locais. Na Festa da Primavera/Primavera Cultural foram feitas mais de 40 apresentações culturais com artistas locais. Podemos destacar ainda a 1ª Mostra de Dança em 2015 com a  participação de mais de 150 artistas. A realização da Semana Benedicto Calixto em 2015 contou com uma exposição de quadros com mais de 200 obras de artistas locais. No encerramento das Oficinas Culturais foram feitas mais de 500 apresentações de artistas amadores. O Espaço Gabinete de Leitura José Rosendo reuniu mais de 40 exposições com artistas locais. Na Biblioteca Municipal Poeta Paulo Bomfim foram realizados workshops e oficinas com mais de 20 capacitações. A Casa da Música teve mais de mil alunos matriculados por ano. E a iniciação cultural no Projeto Wagner Roncada contou com mais de 100 crianças matriculadas anualmente. As oficinas culturais de Dança registraram mais de 300 pessoas matriculadas anualmente. Destacou também o trabalho da Banda Marcial Municipal Narciso de Oliveira Filho, com mais de 100 componentes e cerca de 60 apresentações realizadas desde 2013.

O Departamento de Cultura esclareceu ainda que oferece apoio institucional com a cessão de equipamentos para o desenvolvimento de atividades culturais realizadas por artistas locais e entidades do terceiro setor quando solicitado. Os interessados em fazer parte da programação cultural devem procurar o Departamento de Cultura e preencher o cadastro de artistas.

Sobre os limites de horário, destacou que as atividades pelo comércio podem ser realizadas em horários mais estendidos, desde que atendam as normas da legislação municipal vigente e não provoquem impactos na vizinhança.