A história real da menina Kat Schurmann, adotada pela família Schurmann (primeira família brasileira a dar a volta ao mundo em um veleiro), rendeu ao filme “Pequeno Segredo” a chance de disputar a seleção de longas-metragens indicados ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira. O filme é dirigido por David Schurmann e foi escolhido pela comissão especial do Ministério da Cultura (MinC) para representar o Brasil na disputa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, dia 12, pela comissão, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
A comissão analisou os 16 filmes inscritos, entre eles, Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, que era o favorito.
“Estou muito feliz com a honra de ‘Pequeno Segredo’ representar o Brasil no Oscar. O interessante é que o filme fala de preconceitos, bullying e diferenças. É incrível como estes temas são tão verdadeiros em todas as esferas e se fizeram presente justamente no dia de hoje. Mas voltemos nossos olhares a algo que é a essência do filme, o amor. Kat, com certeza, está feliz! Onde quer que ela esteja, nos iluminando, ela deve estar sorrindo porque sua história será compartilhada e trará um pouco de compreensão e amor nesse mundo com lamentáveis manifestações de ódio”, escreveu David Schurmann em sua página no Facebook.
A seleção final dos concorrentes na categoria ainda será definida pela Academia, que anunciará os indicados à 89ª edição do Oscar no dia 24 de janeiro. A cerimônia de premiação será realizada no dia 26 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Sinopse
“Pequeno Segredo” é um filme de ficção baseado na história real de Kat Schurmann e que também inspirou o best-seller homônimo de Heloísa Schurmann. O drama revela a força do amor no destino de duas famílias. Ao adotar Kat, o casal Schurmann convive com a delicada escolha de manter ou não um segredo que vai além da adoção.
No elenco, Júlia Lemmertz (Heloísa Schurmann), Marcello Antony (Vilfredo Schurmann), Mariana Valadares Goulart (Kat Schurmann ), Maria Flor (Jeanne), Erroll Shand (Robert) e Fionnula Flanagan (Barbara).
Estreia antecipada
“Pequeno Segredo” tinha estreia prevista para o dia 10 de novembro, mas para poder competir representando o Brasil no Oscar, o lançamento foi antecipado para o próximo dia 22 de setembro. O anúncio foi feito pela comissão do MinC.
Pelas regras, os filmes inscritos no país para disputar vaga entre os indicados no Oscar 2017 devem ter sido lançados e exibidos publicamente com fins comerciais por pelo menos sete dias consecutivos entre os dias 1º de outubro de 2015 e 30 de setembro de 2016. É necessária a comprovação da exibição em salas de cinema comercial.
A polêmica com Aquarius
A indicação de “Pequeno Segredo” transformou um filme até então desconhecido no assunto mais comentado do dia nas redes sociais. O filme foi alvo de críticas e elogios.
Já Kleber Mendonça Filho, diretor de Aquarius, acredita que a decisão foi política. “É bem possível que a decisão da comissão esteja em total sintonia com a realidade política do Brasil”, escreveu Kleber no Facebook. Vale lembrar que Aquarius ganhou grande notoriedade quando o elenco se manifestou contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) no Festival de Cannes, na França. O ato político rendeu mídia e apoio ao filme, principalmente da classe artística.
Potencial para ‘seduzir’ a Academia
A comissão que elegeu “Pequeno Segredo” foi formada por Adriana Scorzelli Rattes, Bruno Barreto, Carla Camurati, George Torquato Firmeza, Luiz Alberto Rodrigues, Marcos Petrucelli, Paulo de Tarso Basto Menelau, Silvia Maria Sachs Rabello e Sylvia Regina Bahiense. O presidente da comissão, Bruno Barreto, não estava presente ao anúncio do filme na Cinemateca.
Ao anunciar o filme, Luiz Alberto Rodrigues disse que a comissão analisou, além das qualidades artísticas do filme, o que a Academia de Hollywood poderia levar em conta. “A gente considerou essa hipótese: que filme teria maior potencial para seduzir o júri da Academia a escolher como concorrente a filme de língua estrangeira?”, disse Rodrigues.
“Não foi uma decisão fácil. Não foi uma decisão unânime. Foi uma decisão pelo consenso”, disse Silvia Maria Sachs Rabello, quando a comissão foi questionada sobre não escolher “Aquarius”.
Marcos Petrucelli completou: “O ‘Aquarius’ ganha essa repercussão nos Estados Unidos porque já foi visto, passou no festival de Cannes. Coincidentemente o nosso filme que foi escolhido não foi visto ainda. Mas isso não significa nada (para o Oscar). Tem filme que ganhou Oscar e não ganhou Cannes, e vice-versa”.
Petrucelli disse ainda que a indicação levou em conta o perfil do júri que escolhe os filmes de língua estrangeira no Oscar. “São pessoas geralmente mais velhas, então um pouquinho mais conservadoras”, disse. “A gente tentou encontrar um filme que tem essas características do cinema ‘da cartilha'”, afirmou o membro da comissão.
(* Com informações de sites especializados em cinema)
Filmes brasileiros inscritos para disputar a seleção do Oscar 2017:
“A bruta flor do querer”, de Andradina Azevedo e Dida Andrade
“A despedida”, de Marcelo Galvão
“Aquarius”, de Kléber Mendonça Filho
“Até que a casa caia”, de Mauro Giuntini
“Campo Grande”, de Sandra Kogut
“Chatô – O Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes
“Mais forte que o mundo – A história de José Aldo”, de Afonso Poyart
“Menino 23: Infâncias perdidas no Brasil”, de Belisario França
“Nise – O coração da loucura”, de Roberto Berliner
“O começo da vida”, de Estela Renner
“O outro lado do paraíso”, de André Ristum
“O roubo da taça”, de Caito Ortiz
“Pequeno segredo”, de David Schurmann
“Tudo que aprendemos juntos”, de Sérgio Machado
“Uma loucura de mulher”, de Marcus Ligocki Júnior
“Vidas partidas”, de Marcos Schetchman
Sobre Kat Schurmann
Kat Schurmann nasceu em 1992 na Nova Zelândia. Aos 3 anos, tornou-se a mais jovem marinheira ao ser adotada pela Família Schurmann. Participou da Magalhães Global Adventure dos 5 aos 8 anos, navegando ao redor do mundo e conhecendo 19 países.
Fluente em inglês e português, estudou por correspondência pelo método americano de ensino da Calvert School. Corajosa marinheira, Kat praticou diversas modalidades de aventuras: desceu rios em rafting, subiu montanhas e vulcões, nadou com os golfinhos e mergulhou em Fernando de Noronha. Sempre alegre e brincalhona, era uma determinada defensora do meio ambiente.
Kat faleceu em 29 de maio de 2006, aos 13 anos de idade, devido a complicações decorrentes do vírus HIV, do qual era portadora desde seu nascimento. A pequena e amada marinheira está simbolicamente presente na Expedição Oriente no nome do veleiro Kat, batizado em sua homenagem. (Fonte: site oficial da Família Schurmann – http://schurmann.com.br/pt/kat-schurmann/).