Gritos histéricos, correria, correria e mais correria, sustos, câmeras chacoalhando do início ao fim do filme ao ponto de incomodar as vistas, uma cacofonia irritante e no fim das contas não se vê quase nada. Assim é o novo “Bruxa de Blair”, que estreia nesta quinta-feira, dia 15, nos cinemas. A trama faz uma ponte com o primeiro filme, “A Bruxa de Blair”, lançado em 1999, mas diferentemente deste, que inovou o gênero terror empregando um estilo “amador” às filmagens, chamado de found footage, o filme atual se mostra uma desastrosa produção. A pré-estreia do filme foi realizada nesta terça-feira, dia 13, no Cine Roxy 5, em Santos, e o Cinema DL foi conferir.
Há 17 anos, “A Bruxa de Blair” foi gravado com câmeras amadoras pelos próprios atores, para dar mais realismo ao horror e fazer parecer que era verídico. Os personagens da trama eram estudantes que, atraídos pela lenda de uma bruxa que habitava uma floresta, embrenharam-se na mata para gravar um documentário sobre ela. Lá, foram perseguidos e atacados por uma força sobrenatural maligna e desapareceram misteriosamente.
Em 1999, o filme foi elogiado pela inovação, mas foi rejeitado por críticos conservadores. No entanto, o formato “amador” e o marketing viral fizeram de “A Bruxa de Blair”, um filme independente de baixíssimo orçamento – US$ 50 mil –, faturar nada menos do que aproximadamente US$ 250 milhões em bilheteria mundial, para a alegria de Daniel Myrick, Eduardo Sanchez, diretores do filme.
O sucesso de “A Bruxa de Blair” foi tão arrebatador que tornou o longa-metragem um dos mais importantes da história do cinema, o que não quer dizer que seja um bom filme, mas diferente.
Em 2016, após uma série de filmes, como os da franquia “Atividade Paranormal”, “Bruxa de Blair”, no mesmo formato de cenas “amadoras”, já é mais do mesmo, não convence, e não agrada, pois além de não ser novidade, o diretor Adam Wingard também errou nas doses de sustos, histeria, penumbra e cenas “sacudidas”. É como se olhássemos com os olhos dos personagens enquanto correm pela floresta ou largam as câmeras no chão.
Voltando ao enredo, o longa dá sequência aos fatos da produção de 1999. Desta vez, o ator James Allen McCune (Shameless) interpreta James, irmão de Heather (Heather Donahue), a personagem que desapareceu no primeiro filme. De posse de fitas com imagens gravadas por sua irmã e pelos outros estudantes, James reúne três amigos para retornar à floresta e desvendar o paradeiro dela na esperança de ainda resgatá-la com vida. Eles partem em expedição convencidos de que uma suposta aparição em uma casa abandonada na floresta, que aparece em um vídeo, seja Heather.
No novo longa, os jovens são mais bem equipados do que os do primeiro filme, eles usam câmeras digitais, algumas portáteis presas à cabeça e nas árvores. Outro objeto de cena é um drone, que acaba sendo inútil aos personagens na história. E, apesar de tantas câmeras, tudo o que se vê são luzes, cabelo, galhos torcidos e o chão.
Lembrando que o segundo filme, “A Bruxa de Blair 2” – O Livro das Sombras, lançado em 2001, foi um fracasso dirigido por Joe Berlinger, que muitos querem esquecer.