Os trabalhadores da geração Y, nascida entre os anos de 1980 e 1995, costumam falar ao celular, utilizar trajes mais despojados no ambiente profissional e ter pressa em se tornar líderes com pouco tempo de empresa. A geração Z, nascida a partir de 1995, é bem próxima de sua antecessora, mas promete mudar a dinâmica do mercado de trabalho radicalmente no futuro.
As diferenças entre as gerações e as mudanças no mercado do trabalho e no relacionamento entre empregadores e colaboradores foram abordados na dissertação de Mestrado do advogado especialista em Direito Digital José Roberto Chiarella, com o tema: “A influência das gerações Y e Z no Teletrabalho, Home Office e Anywhere Office e o novo formato de produção no Brasil e Argentina”.
Uma das grandes mudanças é a expansão do “Home Office” ou do “Anywhere Office”, no qual o colaborador não precisa estar todos os dias ou ir até a sede da empresa para trabalhar. Tudo é feito pela internet.
Neste Papo de Domingo, Chiarella fala um pouco sobre a convivência entre as gerações mais antigas e as recentes e seus conflitos, e também o que essas mudanças podem provocar nas relações trabalhistas.
Diário do Litoral – O que o motivou a escolher esse tema para a tese de seu mestrado?
Chiarella – Foi me deparar com a grande transformação e avanço da Tecnologia da Informação estabelecendo uma mudança social significativa diante das gerações intituladas ‘Y’, ou seja, ‘nativos da internet’, antecessores da chamada geração ‘Z’ considerados ‘nativos digitais’, buscando um novo modelo de produção, consequentemente um novo modelo de contratação, na busca de uma reforma nas regras trabalhistas, mantendo a ordem pública laboral.
Diário do Litoral – Você analisou o formato de produção no Brasil e Argentina. Há diferença entre os dois países? Quais?
Chiarella – A tese tratou basicamente das modalidades de teletrabalho home office ou anywhere Office, na Argentina absorvida pela criação do PROPET (Progama de Promocion del Empleo En Teletrabajo), por meio do Ministerio Del Trabajo, Empleo Y Seguridad Social, e aqui no Brasil por meio da mudança legislativa (CLT) com a nova redação dada ao artigo 6º, pela Lei 12.551 de dezembro de 2011, que assim dispôs: “Art. 6º. Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do empregado e o realizado à distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego. Parágrafo único. Os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio.”
Diário do Litoral – Quais as principais mudanças entre as gerações Y e Z?
Chiarella – As gerações Y e Z, com a utilização do campo tecnológico, fomentam uma transformação do modelo social, nas relações humanas e com relação ao mercado de trabalho, destacando que a opção por uma nova modalidade de produção não presencial é crescente. Assim a contratação dos serviços na modalidade de Teletrabalho, Home Office ou Anywhere Office, devem estar norteados de forma paritária e, com novo método de contração o “tempo” pode ser administrado de forma mais flexível e favorável aos empregados e empregadores, mantendo a proteção já existente ao trabalhador, pois, de outra forma, o empregador se manterá vulnerável a demandas jurídicas, ampliando e confrontando, contudo, os conceitos Brasil e Argentina, na busca da sua aplicabilidade e eficácia do compliance digital. A principal diferença da geração Z com relação à geração Y está em terem crescido totalmente integradas com a tecnologia, que interferiu e interfere na forma como agem, como pensam e em seu ritmo de vida.
Diário do Litoral – A convivência entre elas podem gerar conflitos. Como solucioná-los?
Chiarella – Não podemos ter a informática, (TICs) tecnologia da informação e comunicação como uma ‘conspiradora’ nas relações de trabalho, na ótica do teletrabalho na modalidade de Home Office e Anywhere Office onde busca a obtenção de medidas que levem a flexibilização das relações laborais, que não é tratada com a devida clareza, nascendo uma zona nebulosa sobre o assunto. Tal clareza é de vital importância para as relações com as novas gerações, em destaque a Z. Aqui cabe o destaque do grande desafio dos gestores de RH (Recursos Humanos), onde o grande e eficaz exercício é entender que as gerações em um ambiente de trabalho se completam.
Diário do Litoral – A geração Y cresceu com a ideia da segurança trabalhista – carteira assinada. Já a Z caminha para um ambiente de trabalho mais flexível. Neste cenário, como aliar segurança e flexibilidade?
Chiarella – A geração Y, a bem da verdade, busca exatamente o contrário. Notadamente a geração Y está modificando o mercado de trabalho. Dentre outras abordagens destacamos uma dose marcante de autoestima (proteção incondicional) dentro da mentalidade ‘você pode ser o que quiser’. A geração Y é identificada por desafios. Busca promoção de forma extremamente rápida, pelo simples motivo de ter desde muito cedo se conectado com o mundo digital, incorporando as novas tecnologias ao seu cotidiano. Logo, no mundo profissional não é diferente, motivando mudanças de emprego sem qualquer hesitação. Avançar na implantação de uma tríplice representatividade, empregadores, empregados e representações sindicais, em especial com relação às negociações sindicais, com conteúdo de vanguarda visando atender a nova Sociedade da Informação tal qual a geração Z.
Diário do Litoral – O Governo defende aposentadoria a partir dos 65 anos de idade. Caso a medida seja aprovada haverá prejuízo para as gerações?
Chiarella – Temos que analisar a mudança (reforma) como uma forma de salvar o INSS, não de retirar benefícios. Se não houver uma atitude de contensão, aqui se inclui a má gestão e corrupção, as novas gerações não serão atendidas por tal benefício.
