Por Lucas Suman
A Baixada Santista registrou, na terceira semana de junho, um novo recorde de casos confirmados de covid 19 em 24 horas, acendendo mais uma vez o sinal de alerta por parte das autoridades de saúde e governantes no sentido de adotar novamente medidas restritivas para a contenção do vírus, a exemplo do que voltaram a fazer cidades paulistas como São José do Rio Preto, Catanduva e Barretos, além de Araraquara, que já vive um novo lockdown.
A doença, que tem sua transmissão exclusivamente pelo contato entre pessoas próximas, já havia registrado alta no número de infectados em abril, justamente no período de duas semanas após o relaxamento das medidas mais restritivas pelo Plano São Paulo, do Governo do Estado, que coincide, em média, com o seu período de incubação.
O efeito bumerangue das taxas de infecção, internação e mortes pela covid 19 é algo realmente preocupante. É notório, pelos dados estatísticos, que ainda não temos condições de retorno à rotina, já que os reflexos da recidiva da covid-19 são notáveis após cada medida de afrouxamento. Em outras palavras: enquanto a população não se conscientizar de que abrandar as normas não significa um retorno à vida normal – pelo menos ao antigo normal – estaremos permanentemente na alça de mira deste bumerangue.
Na outra ponta dessa discussão, a mais significativa, um paradoxo: a necessidade de maior celeridade no processo de vacinação e, ao mesmo tempo, arrefecer os ânimos da população na medida em que aumentam os níveis de vacinação, uma vez que, conforme aumenta o número de imunizados, cresce também a falsa sensação de segurança. Falsa porque nenhuma vacina é comprovadamente 100% eficaz e seus efeitos no corpo humano também não são instantâneos.
Por isso, a melhor conduta continua sendo o distanciamento social, higienização constante das mãos e uso de máscaras para todos, até o Brasil atingir níveis mais robustos de imunização coletiva, que são crescentes, porém, precisam aumentar, superando a capacidade que o novo coronavírus tem de sofrer mutações, como qualquer outro, aliás.
Assim como o vírus da gripe Influenza, em que a vacinação é realizada anualmente devido às mutações genéticas, é quase impossível erradicarmos por completo o vírus da covid-19 neste ano somente com estas doses de vacina ofertadas.
Diga-se de passagem, conforme recente estudo do Instituto Butantan, nada menos que sete das 20 variantes do vírus encontradas no Estado de São Paulo já circulam pela Baixada Santista, com predominância da P.1, descoberta em Manaus, o que só reforça a luz amarela na dinâmica da pandemia na região.
Cabe à população, incluindo vacinados ou não, manter os devidos cuidados de proteção individual constantemente, além de ouvir especialistas para manter-se informada dos riscos inerentes à doença e, acima de tudo, manter a serenidade na expectativa de que algum dia isso tudo vai passar. Não há outro caminho seguro neste momento.
* Lucas Suman, médico cardiologista
