‘Eu Sei o que Vocês Fizeram’ quer ser progressista, mas é só genérico

Freddie Prinze Jr. e Jennifer Love Hewitt retornam

Sony Pictures/Divulgação

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Com o sucesso de “Pânico”, a Columbia Pictures tentou criar sua própria versão do longa de Wes Craven, e assim nasceu “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”. Além de ter rendido US$ 125 milhões mundialmente e custado apenas US$ 17 milhões, o filme foi responsável por alavancar as carreiras de Freddie Prinze Jr., Sarah Michelle Gellar, Jennifer Love Hewitt e Ryan Phillippe.

No entanto, suas continuações não tiveram o mesmo prestígio, assim como a série lançada em 2021 pelo Prime Video. Em paralelo, muito se discutia sobre um revival da franquia, especialmente após a Paramount ter feito “Pânico” renascer das cinzas. Foi então que um novo longa, com os retornos de Freddie e Jennifer, foi anunciado em meados de 2024.

Se em “Pânico” a franquia conseguiu se renovar, mesmo que com alguns deslizes, e soube reconhecer a importância de certos personagens, o mesmo não se pode dizer do novo “Eu Sei o que Vocês Fizeram”. A sensação é de que houve um desespero por parte da cineasta Jennifer Kaytin Robinson (roteirista de “Thor: Amor e Trovão”) em reinventar a fórmula da franquia para a geração Z, e só isso.

A história é basicamente a mesma do original: um grupo de amigos se envolve acidentalmente na morte de uma pessoa na estrada. Um ano após o ocorrido, um misterioso homem com um gancho começa a assassiná-los brutalmente, um por um.

O roteiro, assinado por Robinson e Sam Lansky (“As Justiceiras”), parece estar desesperado para conquistar um público woke, na faixa dos 16 aos 20 anos, em vez de desenvolver seus protagonistas. Mesmo que beba, e muito, o original e trace vários paralelos, há mais ênfase em tópicos na pauta ideológica do que na própria narrativa em si.

Logo, a trama se apoia em arquétipos genéricos: o galã sarado (Tyriq Withers), a loira burra (Madelyn Cline, que chega a roubar a cena com seu humor), a protagonista pseudo-durona (Chase Sui Wonders) e os dois “velhos” que retornam, Jennifer, para “salvar o dia”, e Freddie, como o “abobalhado” da vez.

Por mais irônico que pareça, o público acaba torcendo para que a maioria deles tenha um fim trágico, tamanho o descuido de Robinson, seja na direção ou no texto. Seja por uma narrativa que não se alinha com o desfecho da identidade do assassino ou pela montagem problemática, que não se encaixa em boa parte da trama.

Um exemplo está em uma sequência em que determinado personagem luta com o assassino e se machuca bastante. No entanto, no corte seguinte, ele o vence e ainda cospe em sua cara. Isso é intercalado com outra cena e, ao retornar para o mesmo arco, o personagem aparece debilitado e sendo brutalmente agredido pelo vilão.

Inclusive, as próprias cenas de morte, por mais que algumas causem aflição e consigam brevemente prender o espectador, não chegam aos pés da brutalidade que deveriam ter. Principalmente em uma época em que a maioria dos títulos opta por esse caminho e não sofre nas bilheterias.

“Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” mostra que não adianta tentar reescrever uma premissa que já está batida, quando o público original não é respeitado e acaba sendo deixado de lado.