Com inspiração no livro de Gregory Maguire, a peça “Wicked” vem fazendo um grande sucesso na Broadway desde seu lançamento em 2003. Em meio a uma fase de crise criativa, era óbvio que Hollywood levaria essa história para as telonas. Dividida em duas partes, com a segunda chegando em novembro de 2025, a produção é estrelada por Cynthia Erivo e Ariana Grande, nos papéis da Bruxa Má do Oeste e Bruxa Boa do Sul.
A trama acontece antes dos eventos apresentados em “O Mágico de Oz”, e se passa na Terra de Oz, quando as citadas eram conhecidas apenas como Elphaba (Erivo) e Glinda (Grande), e eram grandes amigas de escola.
É inegável que o cineasta Jon M. Chu (“Em Um Bairro em Nova York”) sabe como conduzir sequências musicais, ao mesmo tempo que nos leva ao universo retratado em sua obra. A começar que sua Oz convence desde os primeiros segundos, pois há um cuidado técnico muito além dos tradicionais CGI.
Desde as cores exageradas, as vestimentas e diversos seres distintos, nos sentimos parte daquele universo. A única exceção são os animais, cuja concepção computadorizada entra na vertente do Vale da Estranheza, mas não prejudica muito a sensação de imersão.
Mesmo com a atriz Cynthia Erivo irreconhecível e realizando uma ótima atuação e semblante musical, o mesmo não se pode dizer de Ariana Grande. Além de ter uma voz incômoda e estar bem desafinada na maioria das canções, sua presença soa bastante forçada e cansativa (e nos faz torcer para ela aparecer cada vez menos).
Outro tópico que faz a produção perder bastante a força, é o roteiro de Winnie Holzman e Dana Fox, que poderia ser mais sutil. Constantemente ele insere e desenha ao espectador que Elphaba defende os animais, Glinda é uma patricinha no estereótipo bobão e pressupõe que o Mágico de Oz, interpretado por Jeff Goldblum, não é o que parece ser. Inclusive, vale citar que este último rouba a cena e perceptivelmente é um dos que mais se divertiram nas filmagens.
Mesmo com algumas breves referências ao clássico de 39, seja nas cenas de ação, personagens e arcos, alguns deles foram alterados para atender mensagens atuais como preconceito, feminismo e a atenção para minorias. Inclusive estas sofrem do mesmo problema citado anteriormente.
Com relação às canções de Winnie Holzman, apesar de Chu conceber ótimas performances, elas não são satisfatórias a ponto de cativar novos fãs e fazê-los sair da sessão com as músicas na cabeça. Algo que os recentes “O Rei do Show” e “Meninas Malvadas”, fizeram.
A primeira parte de “Wicked” funciona apenas se você é fã do musical ou da própria Ariana Grande, pois dificilmente ela serve como uma porta de entrada para Oz.
