Tragédia da Vila Socó ainda é um fantasma em Cubatão

Um dos maiores incêndios da história do País completou 41 anos no último dia 24 de fevereiro

Homens retiram objetos pessoais em meio aos destroços após incêndio na Vila Soco, em Cubatão

Homens retiram objetos pessoais em meio aos destroços após incêndio na Vila Soco, em Cubatão | Foto: Matuiti Mayezo/Folhapress/25/02/1984

No último dia 25 ocorreu mais um aniversário da maior tragédia de Cubatão: a da Vila Socó, cujo fantasma permanece por 41 anos assombrando o Município. A Comissão da Memória, Verdade e Justiça às Vítimas do Incêndio da Vila Socó (CVMVJ) da OAB de Cubatão divulgou a agenda para este ano, que inclui o protocolo de requerimento de anistia coletiva junto à Comissão da Anistia do Ministério dos Direitos Humanos. Também pedido de inclusão das vítimas transformadas em cinzas, na lista de mortos e desaparecidos do período da ditadura militar.

O advogado André Louro, presidente da Comissão da OAB, constituída em 2014, e formada ainda pelos advogados Dojival Vieira e Luiz Marcelo Moreira, relembrou o trabalho dos seus membros, afirmando que a luta em busca de elementos para comprovar os números reais de pessoas vitimadas ainda continua. Segundo afirmam, morreram de 508 a 800 pessoas, ao contrário dos 93 mortos oficiais.

“Lembrar é sempre importante, mas precisamos entender a história que é contada e o que aconteceu de fato. Nós devemos isso às vítimas ainda não contabilizadas, que não entraram nos números oficiais até agora. Elas tinham uma certidão de nascimento, elas existiram. É isso que precisamos descobrir: quantas mais foram e quem eram elas. Quem sabe um dia ainda descobriremos a realidade dos fatos. Por isso, o nosso trabalho e nossa luta não podem parar”, disse Louro.

A agenda inclui a continuidade das articulações já iniciadas junto à Câmara Municipal, para apresentação de Projeto de Lei que propõe a criação do Feriado Municipal de 25 de fevereiro – o Dia da Memória. Também a criação de uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para dar continuidade as investigações visando a apuração do número real de vítimas fatais, bem como de feridos, a fiscalização e cobrança de transparência por parte da Petrobras em relação ao mapeamento das linhas de transporte de combustíveis que, continuam a cortar a cidade, sem qualquer informação a comunidade.

Outra proposta é a construção de Memorial às Vítimas – um espaço para a reflexão – e que, ao mesmo tempo, seja um lugar para guarda de documentos históricos para consultas de interessados, livros e teses que vem sendo produzidas ao longo das quatro décadas.

Seria uma sala de audiovisual, biblioteca, documentos e arquivos que torne permanente a reverência a memória às vítimas do incêndio. Para isso, a Comissão decidiu que todos os meses haverá uma audiência pública para ouvir depoimentos de personagens ainda vivas.