A urgência do agora

‘Carpe Diem’ é o convite para que se evite gastar o tempo com coisas inúteis

O avião caiu. E um dia a pessoa alcança o sucesso que sempre sonhou e no outro sua experiência terrena chega ao fim. O avião caiu e, para quem fica, surge aquele amargor na boca e a sensação de que é preciso viver como se não houvesse amanhã. Mas os dias passam, a necessidade de amar, viver e ser feliz desaparece e esperamos. Por uma nova tragédia que nos desperte a urgência do agora.

Uma frase em latim de um poema de Horácio imortalizada no filme ‘Sociedade dos Poetas Mortos’ nos instiga a aproveitar a vida – com seus dias ensolarados e nebulosos, com seus arcos alegres e tristes e suas histórias inspiradoras e sofridas. ‘Carpe Diem’ é o convite para que se evite gastar o tempo com coisas inúteis. 2019 parece ter vindo para gritar aos nossos ouvidos: Carpe Diem, a vida é um sopro!

O ano começou com a tragédia da Vale em Brumadinho (MG), onde a lama soterrou o sonho de ao menos 243 pessoas. As buscas seguem e 27 seguem desaparecidos. A barragem localizada na Mina Córrego do Feijão se rompeu no dia 25 de janeiro, provocando uma onda de rejeitos que destruiu casas, plantações e contaminou parte do Rio Paraopeba, afluente do São Francisco. Trabalhadores, famílias que viviam no entorno e turistas que passeavam pela região: histórias que desapareceram em segundos.

No dia 8 de fevereiro mais uma tragédia: nas primeiras horas da manhã um incêndio no alojamento da categoria de base do Flamengo colocou um ponto final prematuro na carreiro de dez jovens que sonhavam em jogar futebol. Era para ser só mais uma sexta-feira regada a risadas e planejamento do que fariam no final de semana. Eram só crianças brincando de jogar bola.

Três dias depois, o Brasil e o jornalismo perderam uma potente voz: uma tragédia aérea matou o jornalista e locutor de rádio Ricardo Boechat. Era só uma viagem rápida para Campinas, onde havia ministrado uma palestra.

Em abril, as águas limaram sonhos no Rio de Janeiro. Avó e neta que só tinham ido passear no shopping. O taxista que só havia saído para mais um dia de trabalho.

Famílias que após muitos anos de luta, só estavam repousando nos apartamentos que tinham adquirido.

Maio está levando consigo mais uma vida precocemente interrompida: a do cantor Gabriel Diniz, que só estava planejando uma surpresa para noiva. Que possamos nos atentar para a urgência do agora. Que não deixemos de dizer ‘Eu te amo’ e ‘sinto muito’. Que não neguemos felicidade, que não tenhamos medo de amar e ser feliz. A vida é um sopro e só estamos nela de passagem. Aproveite o caminho.