Em um trabalho de continuidade de combate às atividades do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista, policiais civis descobriram um laboratório de drogas operado pela facção na Favela Pantanal, no Saboó, em Santos, na manhã desta quinta-feira (5). Além de drogas e materiais relacionados ao preparo, vasta quantidade de anotações sobre “biqueiras” foi apreendida pelos policiais da 1ª Delegacia da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) regional. A ação ocorreu dois dias depois das prisões de dois sócios da casa noturna Mundo M Lounge, no mesmo bairro, e consiste em um desdobramento, segundo a polícia.
Diante das apreensões realizadas no dia 3, em diligências na casa noturna e nos endereços dos acusados, os policiais obtiveram informações que possibilitaram descobrir, nesta quinta, um barraco próximo ao Campo Bandeira usados por líderes da facção criminosa naquela comunidade.
Conforme apuraram os delegados Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior e Leonardo Amorim Nunes Rivau, respectivamente titular e assistente da 1ª Delegacia, o barraco era utilizado para armazenar, preparar, produzir, distribuir e abastecer os pontos de tráfico de drogas.
Sob o comando dos delegados e do investigador-chefe, Paulo Carvalhal, os policiais da especializada se deslocaram para o barraco e por volta das 9h entraram no local após sentirem forte odor de maconha.
A equipe apreendeu quase 1,5 quilo de maconha, entre pequenos tijolos e porções, 54 cápsulas de cocaína, 80 tubos com lança-perfume, um galão com dois litros deste tóxico, diversos utensílios para preparo, produção e embalo das drogas, incluindo batedeira com resquícios de cocaína, rádios comunicadores e a vasta quantidade de anotações, em 15 cadernos, das “biqueiras” abastecidas pelo laboratório.
Os policiais já identificaram os dois supostos líderes da facção naquela comunidade que seriam os responsáveis pelo local.
Casa noturna
Mediante cumprimento de mandados de busca e apreensão, policiais da 1ª Delegacia da Deic prenderam na terça-feira os dois sócios da casa noturna Mundo M Lounge Bar – Weslley Felipe Ferreira da Silva, o Cupim, de 28 anos, e Cícero de Souza Vieira, o Cicinho, também de 28. Um terceiro alvo do inquérito, José Vinícius de Souza Vieira, o Alemão, de 24, irmão de Cicinho, não foi localizado, mas seguirá sendo investigado.
Cupim e Cicinho foram autuados em flagrante por tráfico de drogas, associação ao tráfico, organização criminosa e contrabando. Nas abordagens aos investigados, os policiais apreenderam dinheiro, veículos e celulares. Com Cupim ainda foi apreendida documentação de depósitos que os policiais acreditam ser para familiares de presos afiliados do PCC. Em audiência de custódia no Fórum de Santos, a Justiça converteu as prisões em preventivas.
Na diligência no Mundo M Lounge Bar os investigadores apreenderam 46 comprimidos de ecstasy e porções de maconha em uma caixa de uísque. Na lateral do estabelecimento, tubos contendo lança-perfume. Os mesmos tubos, segundo os policiais, foram encontrados dentro da casa noturna e outros em frente e ao redor do local, o que indica, segundo o delegado Rivau, o consumo e livre comércio de drogas no estabelecimento, “exatamente como foi investigado”
O advogado de Cupim, Felipe Gaspar, negou o envolvimento do cliente com quaisquer atividades criminosas. “Wesley está disposto a colaborar com a Justiça sendo fático que é inocente. Não faz parte de organização criminosa, não integra o primeiro da capital. É um jovem empreendedor que infelizmente está sofrendo um estigma por abrir um estabelecimento dentro de uma comunidade”, afirma.
A advogada de Cicinho e de Alemão, Alexandra do Nascimento, diz que “são infundadas as acusações da Deic e afirma que no transcorrer da instrução processual a defesa provará a inocência dos investigados”.
