Adeus aos meses de obra: Novo robô constrói casas de 200m² em um dia

Inovação condensa cadeia de suprimentos e acelera prazos da engenharia

Criado por startups, Charlotte usa resíduos sólidos e promete mudar a construção dentro e fora do planeta

Criado por startups, Charlotte usa resíduos sólidos e promete mudar a construção dentro e fora do planeta | Divulgação

O setor da construção civil pode estar prestes a viver uma revolução tecnológica. Durante o Congresso Internacional de Astronáutica, realizado esta semana em Sydney, as empresas Crest Robotics e EarthBuilt Technology apresentaram uma parceria inédita para o desenvolvimento do “Charlotte”, um robô com formato de aranha que opera como uma impressora 3D em escala monumental.

O funcionamento do equipamento chama a atenção pela simplicidade e eficiência. Instalado na parte inferior do corpo do robô, um sistema distribuidor deposita camadas sucessivas de material, “desenhando” a estrutura da casa diretamente no solo, sem a necessidade de formas ou blocos.

Material ecológico substitui cimento

Um dos diferenciais do projeto está na composição da matéria-prima. Em vez do cimento convencional, o robô utiliza uma pasta feita a partir de resíduos sólidos reciclados, como vidro moído e tijolos triturados, combinados com areia.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A mistura forma uma massa densa que solidifica rapidamente, criando uma base resistente para as camadas superiores.

De acordo com informações do jornal O Globo, a escolha do material confere ao projeto um caráter sustentável, reduzindo a dependência de insumos tradicionais e dando destinação ecologicamente correta a entulhos urbanos.

Nas projeções iniciais da empresa, o robô-aranha será capaz de erguer uma residência de 200 metros quadrados em apenas um dia de operação. O feito equivale, segundo os engenheiros, à produtividade média de uma equipe de 100 trabalhadores no mesmo período.

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Construção fora do planeta

Embora a tecnologia tenha aplicações imediatas na Terra, o verdadeiro destaque do Charlotte, e o motivo de sua apresentação em um congresso de astronáutica, é sua capacidade de adaptação para ambientes extraterrestres.

Por utilizar um sistema de deposição contínua, o robô dispensa o levantamento manual de blocos e pode operar com materiais encontrados in loco, como regolito lunar ou rochas marcianas. Além disso, seu funcionamento não requer oxigênio, o que reduz drasticamente os custos logísticos e operacionais para missões fora do planeta.

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Impacto global

Em entrevista à ABC News, o cofundador da EarthBuilt, Jan Golembiewski, destacou que a tecnologia representa uma ruptura no modelo tradicional da construção civil.

“Conseguimos condensar toda a cadeia de suprimentos em um único processo, de alta velocidade e baixo consumo energético. Isso reduz custos, acelera prazos e minimiza o desperdício de recursos naturais”, afirmou.

Em um cenário global marcado pela crise habitacional e pela emergência climática, especialistas apontam que inovações como o robô Charlotte podem redefinir o papel da engenharia e da arquitetura no futuro do planeta e além dele.