Ainda não dá para afirmar se é pela saúde ou pela praticidade, mas a venda por delivery de alimentos orgânicos subiu 120% em Santos desde que a quarentena foi decretada, de acordo com proprietários de lojas especializadas no ramo. A região acompanha a elevação registrada em outros estados do país, segundo dados do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), que mostram um crescimento no setor que pode superar os 10% e continuar em ascensão mesmo após a reabertura do comércio.
De acordo com os proprietários da loja Viver Orgânicos, localizada no bairro Embaré, em Santos, a demanda deu um salto nas primeiras semanas da quarentena, depois diminuiu, mas mesmo assim, o local segue atendendo com 120% a mais de pedidos.
O mesmo aconteceu na Mandu Orgânicos, no Boqueirão. A loja conquistou 25% de novos clientes e viu as entregas semanais das cestas passarem de 60 para 160, o que demandou um dia a mais de trabalho na semana. Para Ricardo Dias Imoto, sócio da Mandu, ainda não dá para afirmar que a busca por alimentos sem agrotóxicos cresceu porque as pessoas estão mais preocupadas com a imunidade e, consequentemente, com o que ingerem, ou se é apenas devido a praticidade de receber produtos frescos sem precisar sair de casa.
“Muita gente que trabalhava fora e acabava almoçando em restaurantes agora está cozinhando a própria refeição, isso explica também a nova demanda. De qualquer forma, esperamos que esses clientes novos notem a diferença que é comer sem química e continuem com esse hábito”, diz.
Ele e a sócia, Flavia Donadio Pita, fecharam o ponto físico em março e afirmam que o delivery compensa. “Antes da epidemia, o faturamento era dividido entre venda em loja e entregas, mas o delivery sempre foi forte e, às vezes, já era maior do que a venda na loja”, explica Ricardo.
Na Viver Orgânicos, foi preciso até limitar o número de clientes para conseguir manter a qualidade dos produtos. “Foi uma loucura no início e a gente passou a trabalhar muito mais depois da pandemia. Mas, somos eu e meu marido, que tem problemas de saúde, então decidimos pisar no freio e mantermos apenas a demanda que conseguimos dar conta” explica a dona.
O espaço existe há cinco anos e sempre funcionou com sistema de entregas, mas há também a opção de ir ao local retirar as compras. Hoje, isso é feito com controle de acesso. “Eu acho que as pessoas estão mais conscientes sobre como é o importante uma boa alimentação e como o que comemos influencia diretamente na nossa imunidade. Espero que esse comportamento continue crescendo no futuro”, diz ela.
