Animal exótico de Cuba invade o litoral paulista e já aparece em Peruíbe

Os primeiros registros da espécie no país datam de 2015, e sua identificação oficial como o 'lagarto cubano'

Quem encontrou o animal foi a modelista e costureira Natali Silva

Quem encontrou o animal foi a modelista e costureira Natali Silva | Natali Silva/Reprodução

O lagarto cubano (Anolis porcatus), espécie exótica e predadora já registrada em Santos, Guarujá e São Vicente, ampliou sua área de ocorrência e foi avistado recentemente em Peruíbe, no extremo sul da Baixada Santista.

Quem encontrou o animal foi a modelista e costureira Natali Silva, moradora da cidade. Ela contou que o lagarto permaneceu por cerca de uma semana escondido atrás de um manequim em sua loja.

“No começo achei engraçado, mas ele não ia embora. Pesquisei no Google e descobri que poderia ser uma espécie invasora. Fiquei preocupada e liguei para um amigo pedindo orientação”, relatou Natali.

Segundo ela, a primeira recomendação foi soltar o animal em uma área de mata.

“Aproveitei que ele estava dentro do manequim e fui até o mato com a “mulher” sem cabeça mesmo (risos). Mas meu amigo me ligou de volta e pediu para não soltar, porque poderia ser invasor”, contou.

Após o alerta, Natali usou uma rede para capturá-lo com cuidado, colocou o réptil em um balde e o encaminhou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres Jureia/Peruíbe (Cetas).

Espécie invasora e sem predadores

O biólogo Thiago Nascimento, responsável pelo Cetas, confirmou que se tratava de um Anolis porcatus e explicou que animais exóticos não podem ser devolvidos à natureza.

“Eles são destinados ao cativeiro regular, já que podem causar desequilíbrios ambientais sérios”, destacou o especialista.

O Anolis porcatus é originário de Cuba, e pesquisadores acreditam que tenha chegado ao Brasil pelo Porto de Santos, trazido em navios de carga. A ausência de predadores naturais tem favorecido sua rápida expansão pela Baixada Santista.

Expansão e riscos ambientais

Os primeiros registros da espécie no país datam de 2015, e sua identificação oficial como o “lagarto cubano” foi publicada em 2016 no South American Journal of Herpetology, em estudo apoiado pela Fapesp e pela National Science Foundation (NSF).

De acordo com a Revista Fapesp, o avanço do lagarto preocupa especialistas, pois a espécie pode ameaçar populações nativas de répteis e alterar o equilíbrio ecológico. Há registros de machos, fêmeas e filhotes, o que indica que o animal já está reproduzindo-se e estabelecido na região.

No site iNaturalist, as ocorrências da espécie concentram-se em Guarujá, Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande, com registros mais recentes também em Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe — o que sugere uma expansão contínua pelo litoral paulista.

Características e impacto

O Anolis porcatus pode atingir até 15 centímetros de comprimento e se diferencia das lagartixas comuns pela coloração mais viva e comportamento ativo. Sua dieta é variada e inclui insetos, aranhas, lacraias, pequenos roedores e até outros lagartos.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), espécies invasoras estão entre as principais causas de declínio e extinção de animais nativos em todo o mundo.

O caso reforça a importância da vigilância ambiental e de medidas de controle para evitar novos desequilíbrios ecológicos na região.