Aparição rara de animal albino surpreende moradores e intriga cientistas

O registro revela uma condição tão rara que pode representar um alerta para a conservação da espécie

Aparição é incomum e surpreendeu moradores

Aparição é incomum e surpreendeu moradores | Renato de Oliveira Carvalho / Reprodução / Diário Corumbaense

Uma aparição incomum surpreendeu moradores da zona rural de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e rapidamente chamou a atenção de especialistas. O registro, feito no último domingo (7), mostra um animal de hábitos conhecidos no Pantanal, mas em uma condição tão rara que pode representar alerta para a conservação da espécie.

As imagens foram feitas pelo servidor público Renato de Oliveira Carvalho, durante visita a uma propriedade de familiares no assentamento Taquaral. Ele relatou ter se deparado com o animal próximo a um córrego, revirando restos de alimento. O que mais impressionou não foi o comportamento, mas sim sua aparência.

O protagonista dessa história? Um quati albino – mamífero geralmente visto em tons acinzentados ou avermelhados, mas que, neste caso, surgiu completamente fora do padrão, em um flagrante raro e simbólico dos efeitos da pressão ambiental sobre a fauna brasileira.

A cena intrigou até biólogos. Juliane Saab, especialista consultada pelo Diário Corumbaense, confirmou que se tratava de um macho solitário, conhecido como “mundéu”, e destacou que a ocorrência é pouco comum na natureza. Segundo ela, casos como esse exigem atenção redobrada, já que podem indicar alterações genéticas na população da espécie.

Condição albina torna espécie muito mais visível e vulnerável à predaçãoCondição albina torna espécie muito mais visível e vulnerável à predação / Renato de Oliveira Carvalho / Reprodução / Diário Corumbaense

“Os quatis vivem em bandos formados por fêmeas e filhotes; os machos só se aproximam no período reprodutivo e depois seguem sozinhos. O registro de indivíduos albinos é raro e de relevância científica, pois pode indicar maior ocorrência de cruzamentos entre animais com genes recessivos”, explica.

Juliane também reforça que “apesar da aparência diferenciada e curiosa, esses casos podem sinalizar riscos genéticos e redução da variabilidade populacional, exigindo análises mais aprofundadas. Além disso, as queimadas anuais e a redução do habitat natural diminuem o número de indivíduos que conseguem sobreviver”.

A especialista ainda lembra que fatores ambientais, como queimadas frequentes e redução do habitat natural, ampliam os riscos de sobrevivência desses animais. O fenômeno, embora desperte curiosidade, levanta uma preocupação maior: a redução da variabilidade genética e os desafios de adaptação diante de pressões crescentes no ecossistema pantaneiro.